BlockFills pede recuperação judicial sob Capítulo 11
A crise de crédito no setor cripto ganhou um novo capítulo após a BlockFills entrar com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. A corretora e plataforma de negociação solicitou proteção sob o Capítulo 11 em um tribunal de Delaware, mecanismo que permite reorganizar dívidas enquanto a empresa continua operando.
Nos últimos meses, a companhia enfrentou pressões financeiras crescentes. Além disso, disputas legais envolvendo fundos associados a clientes ampliaram a preocupação de investidores e usuários. Nesse contexto, a empresa decidiu recorrer à proteção judicial para tentar reestruturar suas operações.
Antes do pedido, um tribunal de Delaware determinou o congelamento de 71 Bitcoin ligados a uma disputa com credores. A decisão ocorreu no âmbito de um processo relacionado à gestão de recursos de clientes. Como resultado, surgiram questionamentos sobre a forma como esses ativos estavam segregados.
Suspensão de saques e pressão de mercado
Semanas antes de entrar com o pedido de recuperação judicial, a BlockFills suspendeu os saques de clientes. Segundo a empresa, a medida ocorreu em meio à forte volatilidade do mercado. Dados de mercado indicam que o Bitcoin caiu de cerca de US$ 97.000 para menos de US$ 64.000 entre meados de janeiro e o início de fevereiro.
Esse movimento pressionou a liquidez da plataforma e aumentou a dificuldade de cumprir obrigações financeiras de curto prazo. Assim, a empresa interrompeu temporariamente os saques enquanto avaliava alternativas para estabilizar suas operações.
Com o agravamento da situação, a companhia e três entidades relacionadas recorreram ao tribunal federal de falências em Delaware. Todas operam sob a controladora Reliz LTD. O objetivo agora é conduzir uma reestruturação supervisionada pela Justiça e buscar novas fontes de capital.

Comunicado da BlockFills sobre atualizações da empresa e pedido de recuperação judicial. Fonte: BlockFills.
Em comunicado, a empresa afirmou que a decisão ocorreu após conversas com investidores, clientes e credores. Segundo a companhia, o processo cria tempo para estabilizar operações e avaliar possíveis acordos com parceiros estratégicos.
Clientes podem enfrentar processo de reembolso mais longo
O Capítulo 11 não representa encerramento imediato das atividades. Pelo contrário, o modelo permite que empresas continuem funcionando enquanto negociam um plano de pagamento com credores.
No entanto, usuários que mantinham saldo na plataforma podem enfrentar um processo mais demorado para recuperar recursos. Em falências desse tipo, clientes costumam aparecer como credores quirografários, ficando atrás de credores garantidos na ordem de pagamento.
BTCUSD sendo negociado próximo de US$ 73.450. Gráfico: TradingView.
Isso significa que o valor recuperado dependerá diretamente dos ativos remanescentes da empresa. Além disso, eventuais pagamentos podem levar meses ou até anos, dependendo do andamento do processo judicial.
Disputa judicial amplia pressão sobre a BlockFills
O congelamento de 71 Bitcoin ligados à gestora Dominion Capital aumentou ainda mais a pressão sobre a BlockFills. A disputa levantou dúvidas sobre a custódia e a separação de fundos associados a clientes.
Relatos do processo indicam que a empresa tentou negociar alternativas antes de recorrer ao tribunal. No entanto, a deterioração das condições financeiras acabou levando ao pedido de proteção judicial.
BTCUSD sendo negociado perto de US$ 73.240 no gráfico de 24 horas. Fonte: TradingView.
O episódio lembra situações vistas em crises anteriores do mercado de criptomoedas. Em 2022, plataformas como Celsius, Voyager e BlockFi também suspenderam saques antes de entrar em processos de falência, deixando usuários aguardando longos períodos por reembolsos.
Até o momento, a BlockFills não divulgou o total de passivos nem o número de clientes potencialmente afetados. Nesse meio tempo, novos documentos devem surgir conforme o processo avança no tribunal de Delaware.