Bitcoin supera US$73 mil com entradas em ETFs
O Bitcoin (BTC) ultrapassou US$73 mil nas primeiras horas de negociação de segunda-feira. O movimento ocorreu em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio, que pressionaram parte dos mercados tradicionais. Ao mesmo tempo, o petróleo avançou para acima de US$106 por barril, sinalizando maior preocupação global com energia e inflação.
Apesar desse cenário, o desempenho do BTC seguiu direção diferente de alguns ativos considerados refúgio. Enquanto o ouro perdeu força e parte das bolsas globais operou com cautela, analistas apontam que a demanda institucional via ETFs spot de Bitcoin continua sustentando a pressão compradora.
Dados do mercado indicam que esses fundos registraram cerca de US$586 milhões em entradas líquidas na semana anterior à escalada das tensões geopolíticas. Assim, o fluxo constante de capital reforça a demanda pelo ativo digital.
Além disso, ETFs funcionam como um mecanismo de absorção de oferta. Quando investidores aportam recursos nesses produtos, os gestores precisam comprar BTC no mercado à vista. Dessa forma, parte da oferta disponível nas exchanges tende a diminuir ao longo do tempo.
Esse processo cria uma demanda estrutural que pode ajudar a sustentar o preço mesmo em cenários macroeconômicos incertos. Diferentemente de ativos tradicionais, os ETFs de Bitcoin realizam compras recorrentes sempre que recebem novas entradas.
Produtos institucionais seguem ampliando posições. O ETF IBIT, da BlackRock, por exemplo, tem mantido aquisições de BTC mesmo durante períodos de volatilidade no curto prazo.
Esse comportamento sugere uma estratégia de longo prazo por parte de parte dos investidores institucionais, que tendem a priorizar exposição contínua ao ativo digital.
“Cerca de 90% dos investidores em ETFs de Bitcoin têm uma visão de longo prazo.”
Robert Mitchnick, chefe de ativos digitais da BlackRock, afirmou que a maioria dos participantes desses produtos segue uma estratégia consistente de acumulação.
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Movimento diverge do ouro no curto prazo
Enquanto o Bitcoin avançava, o ouro perdeu força no mercado internacional. O metal precioso recuou com a valorização do dólar e a alta nos rendimentos dos títulos do governo dos Estados Unidos.
Com isso, o ouro voltou a operar próximo da faixa dos US$2 mil por onça em determinados momentos recentes. Parte dos investidores migrou recursos para ativos ligados ao dólar e aos títulos públicos americanos.
A dinâmica gerou uma divergência pontual entre os dois ativos. Historicamente, Bitcoin e ouro costumam ser comparados como possíveis reservas de valor alternativas.
No entanto, analistas avaliam que o mercado cripto tem respondido cada vez mais a fatores internos, como adoção institucional e fluxos em ETFs. Assim, variáveis próprias do setor podem ganhar peso frente aos movimentos macroeconômicos tradicionais.
Em janelas curtas de tempo, métricas de mercado também indicam correlação fraca ou levemente negativa entre o BTC e índices acionários como o S&P 500. Isso sugere um possível desacoplamento temporário em relação aos mercados tradicionais.
Mercado observa decisão do Federal Reserve
O movimento ocorre durante uma semana importante para a política monetária global. Bancos centrais de várias economias relevantes devem anunciar decisões sobre taxas de juros.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve divulgará sua decisão em 18 de março. Além disso, a recente alta do petróleo aumenta as preocupações com inflação, fator que pode influenciar o tom da autoridade monetária.
Níveis técnicos observados pelos traders
O rali levou o BTC a máximas intradiárias próximas de US$73.421. Com isso, o ativo rompeu uma faixa de consolidação que limitava o preço desde o início do mês.
Analistas agora observam a região de US$72.500 como um suporte relevante. Caso o mercado mantenha esse nível, o impulso de alta pode continuar no curto prazo.
Por outro lado, uma perda desse suporte poderia levar o preço novamente à região psicológica de US$70 mil. Esse patamar funcionou como resistência anteriormente e pode voltar a atuar como área de demanda.
Se houver fechamento consistente acima de US$73.500, alguns indicadores técnicos sugerem redução de divergências baixistas em gráficos de quatro horas. Nesse cenário, projeções de curto prazo passam a considerar alvos entre US$75 mil e US$78 mil.
Parte da recente valorização também veio do mercado de derivativos. Estimativas indicam que cerca de 60% das liquidações recentes ocorreram em posições vendidas, o que gerou um efeito de short squeeze e acelerou o movimento de alta.
Além disso, o interesse em aberto voltou a crescer e alcançou cerca de 88 mil BTC. Em síntese, a combinação de entradas em ETFs, menor oferta disponível em exchanges e liquidações no mercado derivativo contribuiu para sustentar o Bitcoin acima de US$73 mil.