Coreia do Sul multa Bithumb em US$24 mi e propõe suspensão

A Bithumb, uma das maiores exchanges de criptomoedas da Coreia do Sul, recebeu uma multa de 36,8 bilhões de won, cerca de US$24,6 milhões, aplicada pela Unidade de Inteligência Financeira do país (FIU). A penalidade está ligada a milhões de violações associadas às regras de combate à lavagem de dinheiro.

Além da multa, o órgão regulador propôs uma suspensão parcial de seis meses que afeta principalmente novos usuários. Caso confirmada, a medida permitirá que a plataforma continue operando para clientes já cadastrados, porém com restrições para abertura de novas contas e determinadas operações financeiras.

Investigações divulgadas pela imprensa sul-coreana apontam cerca de 6,65 milhões de infrações relacionadas às normas de verificação de clientes e prevenção à lavagem de dinheiro. O caso figura entre as ações regulatórias mais relevantes já direcionadas a uma plataforma de ativos digitais no país.

Investigação aponta falhas em KYC e monitoramento

Durante a apuração, a FIU identificou aproximadamente 3,55 milhões de casos em que a exchange não teria realizado a verificação adequada de identidade de usuários. Esse processo faz parte das políticas de KYC (Know Your Customer), usadas para reduzir fraudes e atividades ilícitas no sistema financeiro.

Além disso, os reguladores apontaram cerca de 3,04 milhões de transações que deveriam ter sido bloqueadas pelos sistemas de controle da plataforma. Ainda assim, as operações teriam sido processadas normalmente.

Outro ponto levantado envolve 45.772 transações realizadas com 18 exchanges estrangeiras que não possuem registro formal na Coreia do Sul. Segundo autoridades, esse fluxo pode indicar falhas no monitoramento de movimentações internacionais de ativos digitais.

Reportagem do Chosun indica que a investigação faz parte de um movimento mais amplo para reforçar a supervisão do setor cripto no país. Entre 2024 e 2025, a FIU realizou inspeções presenciais nas cinco maiores exchanges locais.

Essas análises avaliaram políticas internas de prevenção à lavagem de dinheiro e mecanismos de verificação de usuários. Nesse contexto, o objetivo das autoridades é elevar o nível de conformidade das plataformas que operam no mercado doméstico.

Executivos também receberam sanções administrativas

Como parte das medidas anunciadas, o CEO da exchange recebeu uma advertência formal. Ao mesmo tempo, o responsável interno pelos relatórios de conformidade foi suspenso por seis meses.

A empresa ainda pode apresentar defesa antes da confirmação definitiva das penalidades. A FIU concedeu cerca de dez dias para que a Bithumb responda às conclusões da investigação.

Detalhes adicionais sobre as supostas violações de AML e KYC também foram analisados pelo portal especializado AMLNetwork.

Erro com Bitcoin aumentou pressão sobre a exchange

A decisão regulatória ocorre poucas semanas após um incidente operacional envolvendo Bitcoin dentro da própria plataforma. O episódio aconteceu durante uma campanha promocional chamada Random Box.

Na ação, a empresa pretendia distribuir recompensas modestas entre 20 mil e 50 mil won para usuários selecionados. Contudo, um erro de configuração teria utilizado Bitcoin como unidade de pagamento.

Relatos publicados nas redes sociais indicaram que alguns participantes receberam valores em Bitcoin muito superiores ao planejado. Capturas de tela compartilhadas por usuários sugeriram pagamentos extremamente elevados, em alguns casos descritos como equivalentes a milhares de BTC.

Após o episódio, o preço do Bitcoin negociado dentro da plataforma chegou a apresentar diferença relevante em relação a outras corretoras locais, com relatos de queda superior a 10% durante o incidente.

A empresa afirmou posteriormente que o problema operacional não teria causado prejuízos diretos aos clientes. Ainda assim, o caso aumentou o escrutínio sobre os controles internos da exchange.

Em síntese, a multa e a possível suspensão parcial reforçam a estratégia das autoridades sul-coreanas de ampliar a supervisão sobre o mercado de criptomoedas, especialmente no que diz respeito às regras de verificação de usuários e prevenção à lavagem de dinheiro.