Criptomoedas: “A religião mais cara do mundo” diz Vanity Fair
Uma reportagem recente da revista Vanity Fair provocou forte reação ao retratar participantes do mercado de criptomoedas como “verdadeiros crentes”. Na publicação, o comportamento desses grupos é comparado ao de um culto, o que gerou críticas imediatas dentro do setor.
A abordagem descreve investidores e desenvolvedores de forma caricata e sugere resistência em aceitar o fim de um ciclo de prosperidade. No entanto, essa leitura foi considerada simplista por parte da comunidade, que aponta falta de contexto sobre a evolução do mercado.

A legenda original descreve o setor como “a religião mais cara do mundo”. Fonte: Vanity Fair.
Retrato do setor levanta debate
A reportagem aposta em uma estética visual marcada por exageros, associando o ecossistema a luxo e excessos. Além disso, sugere que participantes ignoram crises recentes e pressões regulatórias. Ainda assim, críticos avaliam que essa narrativa deixa de lado aspectos fundamentais do setor.
Nesse contexto, profissionais destacam que o universo cripto envolve inovação tecnológica, modelos de governança descentralizada e novas infraestruturas financeiras. Dessa forma, reduzir o segmento a estereótipos pode comprometer a compreensão pública.

Executivos do setor foram retratados de forma caricata na reportagem. Fonte: Vanity Fair.
A publicação também relembra o período pós-crise de 2008, mas descreve os primeiros adeptos do Bitcoin como um grupo isolado. Para parte da comunidade, essa interpretação ignora o contexto de desconfiança no sistema financeiro tradicional que impulsionou o surgimento dessas tecnologias.
Reação da comunidade
A repercussão nas redes sociais foi imediata. Desenvolvedores e fundadores criticaram a abordagem e apontaram que a cobertura midiática tende a priorizar figuras mais extravagantes.
Segundo esses participantes, essa seleção distorce a percepção pública ao deixar em segundo plano profissionais focados no desenvolvimento técnico. Assim, contribuições relevantes acabam menos visíveis.
O fundador da Tally, Dennison Bertram, comentou o caso:
Antes de entrar no mundo das criptomoedas, trabalhei como fotógrafo de moda por mais de uma década. Trabalhei para revistas como @ELLEmagazine, @marieclaire, @Cosmopolitan e marcas como @LouisVuitton e @gucci e outras. O artigo da Vanity Fair foi uma armação para ridicularizar as criptomoedas e aqueles que elas retratavam.
Além disso, ele criticou o ensaio visual da reportagem, classificando as imagens como depreciativas. A crítica, portanto, se estende tanto ao conteúdo textual quanto à representação estética.
Por outro lado, integrantes do setor ressaltam que redes, DAOs e protocolos continuam em desenvolvimento ativo. Nesse sentido, o avanço tecnológico segue, independentemente da percepção externa.
Em síntese, o episódio reforça o choque entre a mídia tradicional e a comunidade cripto. Enquanto parte da cobertura enfatiza controvérsias, participantes destacam avanços contínuos e amadurecimento do mercado.