Disputa por Bitcoin de US$ 172 mi vai à Justiça do Reino Unido

Uma disputa envolvendo cerca de US$ 172 milhões em Bitcoin passou a ser analisada pela Alta Corte de Justiça do Reino Unido. O caso gira em torno de alegações de acesso indevido a ativos digitais após a suposta obtenção secreta de uma frase de recuperação.

Segundo documentos judiciais, Ping Fai Yuen afirma que possuía 2.323 Bitcoins armazenados em uma carteira de hardware Trezor em 2023. No entanto, em 2 de agosto daquele ano, todo o saldo foi transferido sem sua autorização. Em seguida, os valores teriam sido distribuídos entre dezenas de endereços, sem novas movimentações relevantes desde dezembro de 2023.

Yuen alega que sua esposa, Fun Yung Li, acessou a frase de recuperação da carteira, mecanismo que permite restaurar o controle dos ativos. Além disso, ele sustenta que informações sensíveis teriam sido obtidas por meio de gravações realizadas dentro da residência. A irmã de Li, Lai Yung Li, também figura como ré no processo.

Acusações envolvem acesso indevido e vigilância

De acordo com os autos, a filha de Yuen teria alertado o pai sobre possíveis tentativas de acesso aos Bitcoins em julho de 2023. Diante disso, ele decidiu instalar equipamentos de gravação no imóvel. Posteriormente, esses registros passaram a integrar o caso.

Trechos apresentados à Justiça indicariam declarações como “o Bitcoin foi transferido para mim” e “pegue tudo”. Além disso, há registros que sugerem discussões sobre posicionamento de câmeras e localização de credenciais.

Nesse contexto, o processo levanta questões sobre privacidade e segurança digital. Casos semelhantes tendem a ganhar espaço à medida que o uso de criptomoedas avança. Sendo que disputas envolvendo carteiras digitais têm chegado com mais frequência aos tribunais.

Investigação e desdobramentos legais

Após identificar a transferência, Yuen confrontou a esposa e acabou sendo preso por agressão. Ele posteriormente se declarou culpado por acusações relacionadas a danos físicos e agressão comum.

Paralelamente, a polícia investigou o suposto desvio de Bitcoin. Em 2023, Li chegou a ser detida, e autoridades apreenderam diversas carteiras frias durante buscas. No entanto, ela foi liberada e, até o momento, não houve avanço sem novas evidências, conforme indicado pelas autoridades.

Em novembro de 2025, Yuen solicitou medidas judiciais para preservar os ativos. Ele pediu o reconhecimento de propriedade, o congelamento de valores associados às rés e a restituição dos fundos ou equivalente em libras.

Justiça avalia evidências e possíveis impactos

Após audiência realizada em março, o juiz responsável indicou que o caso apresenta indícios relevantes a serem analisados. Ele destacou que elementos como alertas prévios, gravações e dispositivos apreendidos podem reforçar a narrativa apresentada.

“As evidências mostram que ele foi alertado sobre o que a primeira ré pretendia fazer, e as transcrições são contundentes”, escreveu o juiz.

Além disso, o magistrado mencionou o princípio da navalha de Occam ao avaliar a consistência das versões. Por outro lado, a defesa ainda não apresentou formalmente sua argumentação completa.

Outro ponto considerado é a volatilidade do Bitcoin, o que pode influenciar o andamento e a urgência de decisões judiciais. Dessa forma, o caso pode contribuir para moldar como tribunais lidam com disputas envolvendo ativos digitais, especialmente em situações que envolvem engenharia social e acesso a carteiras.