Bitcoin perto de US$ 70 mil em meio a tensões

O Bitcoin permaneceu próximo de US$ 70.000 nesta sexta-feira, mesmo diante do aumento das tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Além disso, o retorno das preocupações com a inflação global pressionou ativos de risco. Ainda assim, dados de derivativos e métricas on-chain sugerem um mercado em consolidação, e não em capitulação.

Durante as primeiras horas do dia, o ativo foi negociado em torno de US$ 70.500. Esse patamar, no entanto, representa recuo frente ao pico recente próximo de US$ 76.000. Ao mesmo tempo, a alta nos mercados de energia intensificou temores inflacionários e limitou ganhos em diferentes setores.

Mesmo nesse cenário, o Bitcoin demonstrou maior estabilidade relativa do que commodities e ações. Assim, o comportamento reforça a leitura de resiliência em um ambiente macroeconômico mais adverso.

Derivativos indicam redução de risco

Segundo a gestora VanEck, o momento atual reflete um “reset” após um período de estresse. No relatório ChainCheck, a média de preço em 30 dias recuou cerca de 19%, enquanto a volatilidade realizada caiu de 80 para aproximadamente 50.

Além disso, as taxas de financiamento no mercado futuro diminuíram de 4,1% para 2,7%. Esse movimento indica menor uso de alavancagem e, por consequência, redução da especulação. Nesse contexto, investidores adotam uma postura mais cautelosa.

No mercado de opções, essa cautela também aparece. A relação entre contratos de venda e compra atingiu 0,77, o maior nível desde 2021 e entre os mais elevados desde 2019. Isso sugere maior demanda por proteção contra quedas.

Mesmo com a queda da volatilidade, os prêmios de opções de venda seguem elevados. Dessa forma, estratégias defensivas continuam predominantes. Historicamente, esse tipo de posicionamento já antecedeu movimentos positivos, embora não haja garantia de repetição.

On-chain desacelera enquanto institucional ajusta posição

No ambiente on-chain, a atividade perdeu força. O volume de transferências caiu 31% no último mês. Além disso, as taxas diárias recuaram 27%, enquanto o número de endereços ativos apresentou leve queda.

Esse enfraquecimento pode indicar maior participação de negociações fora da blockchain. Assim, produtos negociados em bolsa e derivativos ganham espaço no volume total.

Por outro lado, investidores de longo prazo reduziram a pressão de venda. A menor movimentação de moedas antigas sugere retenção, o que tende a favorecer maior estabilidade nos preços.

Entre mineradores, a receita caiu cerca de 11% no período. Ainda assim, não houve aumento relevante na venda de Bitcoin. Os fluxos para exchanges cresceram apenas 1%, enquanto os saldos recuaram gradualmente.

Nos últimos 12 meses, mineradores venderam majoritariamente a nova oferta gerada. Portanto, não há sinais claros de liquidação acelerada de reservas antigas.

No campo institucional, ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas líquidas recentes. Esse movimento interrompeu uma sequência de entradas e acompanha o aumento da aversão ao risco global.

Além disso, há expectativa de novos produtos institucionais ligados ao Bitcoin no mercado americano, o que indica que o interesse permanece, mesmo diante das incertezas.

No momento da publicação, o Bitcoin era negociado a US$ 70.371. Em síntese, a combinação de menor volatilidade, redução da alavancagem e queda na atividade sugere um mercado em compasso de espera.