XRP: estrutura ligada a Larsen levanta alerta na SEC
Um relatório recente levantou preocupações sobre a influência do cofundador da Ripple, Chris Larsen, em uma estrutura financeira ligada ao XRP que pode chegar ao mercado público dos Estados Unidos. A análise indica que Larsen teria um papel indireto, porém relevante, na Evernorth, empresa que pretende abrir capital na Nasdaq por meio de uma SPAC chamada Armada Acquisition.
Nesse contexto, o ponto central envolve a RippleWorks, organização sem fins lucrativos cofundada por Larsen e registrada no Internal Revenue Service (IRS). Segundo o documento, a entidade investiu US$ 500 mil em dinheiro e 211.319.096 XRP no Arrington XRP Capital Fund, LP, fundo que participa da estrutura relacionada à Evernorth.
Com isso, a RippleWorks passou a ter uma participação relevante entre os investidores do fundo. Além disso, o acordo prevê a conversão dos tokens XRP em ações da Evernorth, o que amplia a exposição ao ativo dentro da operação.
Estrutura com XRP levanta dúvidas de governança
Embora o controle formal do fundo esteja com uma empresa ligada a Michael Arrington, documentos apontam restrições contratuais. Um acordo datado de 17 de outubro de 2025 indica que o fundo deve consultar a RippleWorks em decisões relevantes e considerar suas orientações de voto.
No entanto, essa configuração levanta possíveis conflitos de interesse. Um documento protocolado na SEC em 18 de março reconhece que os interesses do patrocinador podem divergir dos acionistas públicos. Além disso, o texto aponta potenciais conflitos entre os papéis de Larsen na Ripple, sua ligação com a RippleWorks e os interesses da própria Evernorth.
Outras entidades associadas ao executivo também aparecem na estrutura. Um trust familiar pretende contribuir com 50 milhões de XRP em troca de mais de 1,8 milhão de ações. Ao mesmo tempo, a Ripple deve adicionar 126.791.458 XRP ao acordo.
Participação cruzada amplia riscos
Dessa forma, uma organização sem fins lucrativos, uma empresa e um trust familiar, todos ligados a Larsen, participam da mesma estrutura voltada ao mercado público. Apesar disso, os documentos afirmam que ele não exerce controle direto sobre as decisões de investimento da RippleWorks.
Por outro lado, o relatório sugere que essa limitação não elimina as preocupações. Larsen integra o conselho da organização, foi cofundador e segue como presidente executivo da Ripple. Assim, sua influência indireta continua sendo considerada relevante por analistas.
Além disso, os múltiplos papéis podem gerar conflitos entre os interesses da Ripple e os da Armada Acquisition. Consequentemente, investidores podem enfrentar riscos adicionais relacionados à governança da operação.
Incentivos financeiros e impacto no XRP
O cenário financeiro reforça esse quadro. Registros do IRS indicam que a RippleWorks possuía cerca de US$ 1,4 bilhão em ativos no ano fiscal de 2024. A maior parte teria origem em doações de Larsen, enquanto 89% da receita veio da venda desses ativos.
Além disso, a estrutura inclui incentivos atrelados ao desempenho do XRP. Caso o preço suba antes da conclusão da operação, RippleWorks e Ripple podem receber ações adicionais da Evernorth. Ainda assim, mantêm participações fixas mesmo sem valorização do ativo.
Essa assimetria pode favorecer entidades ligadas a Larsen, o que amplia a atenção de investidores e reguladores. Em outras palavras, o modelo levanta questionamentos sobre alinhamento de interesses e transparência.
No momento da publicação, o XRP era negociado a US$ 1,45.

Nesse cenário, a potencial listagem da Evernorth segue sob escrutínio regulatório. Assim, investidores acompanham de perto os desdobramentos e os possíveis efeitos sobre o XRP.