ZachXBT expõe rede de golpes cripto com guerras
O investigador on-chain ZachXBT revelou uma rede coordenada de golpes no mercado de criptomoedas que explora narrativas sobre guerras e política para manipular usuários. O caso sugere um nível crescente de sofisticação em fraudes digitais, especialmente pelo uso de temas sensíveis para ampliar alcance e engajamento.
Em uma análise publicada em no X, o investigador descreveu como mais de 10 contas atuam de forma coordenada. Essas contas criam senso de urgência com postagens virais e, na sequência, direcionam usuários para esquemas envolvendo criptoativos.
Estratégia combina medo e desinformação
Contas compradas e conteúdo alarmista
Segundo ZachXBT, o grupo segue um padrão recorrente. Inicialmente, os operadores adquirem contas com base de seguidores já formada. Em seguida, passam a publicar conteúdos alarmistas ligados a conflitos geopolíticos, capturando rapidamente a atenção do público.
Além disso, outras contas da mesma rede impulsionam essas publicações com curtidas, comentários e repostagens. Dessa forma, ampliam artificialmente o alcance e geram milhões de visualizações.
Um dos exemplos envolve uma persona criada com inteligência artificial que imitava figuras conhecidas do setor cripto. Isso tende a aumentar a credibilidade percebida, embora o perfil fosse totalmente fraudulento.
Após ganhar tração, as contas mudam de abordagem. Elas passam a promover sorteios falsos e tokens suspeitos, além de alterar frequentemente seus nomes de usuário, dificultando o rastreamento.
Token ORAMAMA levanta suspeitas de manipulação
Promoção coordenada e possível pump-and-dump
Entre os casos citados, ZachXBT destacou o token ORAMAMA. Em 22 de fevereiro de 2026, ao menos 10 contas promoveram o ativo simultaneamente, o que sugere uma tentativa coordenada de gerar interesse no mercado.
No entanto, o movimento perdeu força rapidamente. Logo após o pico de atenção, as contas deixaram de mencionar o token, comportamento frequentemente associado a esquemas do tipo pump-and-dump.
Dados on-chain analisados pelo investigador indicam que a operação pode ter gerado lucros de seis dígitos em dólares. O episódio reforça o potencial impacto financeiro dessas práticas para investidores desavisados.
Engajamento amplia alcance dos golpes
Interações involuntárias impulsionam fraudes
A investigação também aponta o papel do chamado engagement farming. Contas populares, muitas vezes sem perceber, interagem com conteúdos virais e acabam ampliando o alcance das campanhas.
Como resultado, os fraudadores conseguem repetir o modelo de forma contínua. Eles constroem audiência com conteúdo sensacionalista e, posteriormente, introduzem novos esquemas.
Segundo ZachXBT, esse método pode ir além do mercado cripto. O mesmo padrão pode influenciar discussões públicas em maior escala, caso seja replicado por grupos mais estruturados.
Pressão por medidas contra redes coordenadas
Plataformas e usuários sob atenção
Diante do cenário, ZachXBT defende ações mais rígidas por parte das plataformas, incluindo banimentos e possíveis consequências legais. Além disso, recomenda que usuários avaliem o histórico das contas antes de interagir com conteúdos virais.
Outro fator relevante é o uso crescente de inteligência artificial, que tende a tornar perfis falsos mais convincentes e difíceis de identificar.
Após a divulgação da análise, as contas mencionadas bloquearam o investigador, comportamento que pode indicar coordenação entre os perfis.
Em síntese, o caso aumenta o alerta sobre fraudes cada vez mais sofisticadas no mercado de criptomoedas e reforça a necessidade de maior cautela diante de conteúdos alarmistas.