CEA: YZi Labs questiona pagamento de US$ 1,98 mi
A CEA Industries (NASDAQ: BNC) enfrenta pressão após a gestora YZi Labs questionar um pagamento de US$ 1,98 milhão ao ex-CEO David Namdar. O episódio levanta dúvidas sobre governança corporativa, transparência e controles internos da companhia.
Segundo a gestora, decisões financeiras relevantes podem ter ocorrido sem aprovação formal dos acionistas. Além disso, documentos enviados à SEC indicam possíveis fragilidades em processos essenciais, o que amplia o risco de inconsistências contábeis.
Governança e estrutura sob escrutínio
A YZi Labs, associada a executivos como Changpeng Zhao e Yi He, apontou falhas na estrutura de controles da CEA. Entre os pontos citados estão áreas críticas como reconhecimento de receitas e tributação.
Além disso, a gestora destacou problemas na gestão de compensações em ações. Esse fator ganha relevância ao considerar a concentração de funções executivas, já que um único profissional acumulava responsabilidades de liderança, finanças e contabilidade.
Na avaliação da gestora, essa sobreposição pode comprometer a supervisão interna e reduzir a transparência. Assim, o modelo adotado aumentaria o risco de decisões sem validação adequada.
Questionamentos ao conselho
Alex Odagiu, sócio de investimentos da YZi Labs, afirmou que práticas básicas de governança podem não ter sido seguidas. Segundo ele, recursos relevantes teriam sido direcionados a partes relacionadas sem aprovação formal dos acionistas.
Além disso, a gestora solicitou explicações detalhadas sobre o pacote de saída de David Namdar e cobrou um plano para corrigir as falhas identificadas. Dessa forma, a pressão envolve tanto eventos passados quanto medidas futuras.
Detalhes do pagamento ao ex-CEO
O valor total de US$ 1,98 milhão inclui diferentes componentes. Entre eles, US$ 375 mil referentes a uma taxa retroativa de consultoria e cerca de US$ 276 mil previstos em pagamentos mensais futuros.
Outro ponto envolve aproximadamente US$ 434,3 mil pagos em dinheiro, ligados a um plano de compensação em ações que, segundo a YZi Labs, não teria passado por aprovação dos acionistas.
Outros pontos levantados
O pacote também inclui US$ 900 mil em pagamento único associado a cláusulas restritivas do acordo de saída. No entanto, as preocupações vão além desse contrato.
A gestora citou ainda repasses a uma empresa de gestão de ativos ligada a Hans Thomas, diretor da CEA. Apenas no primeiro trimestre de 2026, esses pagamentos somaram cerca de US$ 2 milhões.
Desde junho de 2025, o total transferido teria alcançado aproximadamente US$ 3,8 milhões. Além disso, a YZi Labs apontou inconsistências em registros financeiros, incluindo dificuldades na conciliação de dados sobre o exercício de 17.648 warrants com o formulário 10-Q.
Em síntese, o caso aumenta a pressão sobre a CEA para esclarecer suas práticas financeiras e reforçar seus controles internos. Caso não haja respostas consistentes, a confiança dos investidores pode ser impactada.