Bitcoin pode ter fundo, Bernstein mira US$ 150 mil
O Bitcoin pode já ter encontrado um fundo após uma correção próxima de 50% desde outubro do ano passado. Analistas da Bernstein, liderados por Gautam Chugani, avaliam que a recente volatilidade não invalida a tendência de alta. Pelo contrário, o banco manteve a projeção de US$ 150.000 até o fim de 2026.
Segundo a análise, o mercado passa por mudanças estruturais relevantes. Em ciclos anteriores, o Bitcoin era fortemente influenciado por investidores de varejo. Agora, no entanto, a presença institucional ganhou espaço com ETFs, empresas listadas e produtos financeiros estruturados. Como resultado, o comportamento do ativo tende a se tornar mais estável ao longo do tempo.
Além disso, essa transformação sugere ciclos potencialmente mais longos. Ainda que oscilações persistam, a dinâmica de oferta e demanda passou a refletir decisões mais estratégicas. Assim, o ativo deixa de reagir apenas a movimentos especulativos de curto prazo.
Participação institucional muda dinâmica do mercado
Nos últimos meses, o Bitcoin tem operado em consolidação entre US$ 65.000 e US$ 75.000. Embora enfrente resistência na faixa de US$ 76.000, o ativo não registrou liquidações em cascata típicas de ciclos anteriores. Esse comportamento, conforme a análise, reforça a leitura de maior maturidade do mercado.
De acordo com a Bernstein, uma parcela significativa da oferta está nas mãos de investidores de longo prazo. Ao mesmo tempo, os ETFs já representam uma fatia relevante da custódia total. Como consequência, as oscilações tendem a ser menos abruptas.
Estimativas indicam que cerca de 60% da oferta de Bitcoin permanece inativa há mais de um ano. Esse fator reduz a pressão de venda no curto prazo. Além disso, os ETFs concentram aproximadamente 6,1% do fornecimento total, contribuindo para maior previsibilidade.
Demanda mais consistente sustenta preços
Os fluxos institucionais seguem como peça central desse cenário. Embora tenha havido saídas de capital dos ETFs no início do ano, o movimento mostra sinais de reversão. Paralelamente, serviços de custódia e produtos financeiros oferecidos por bancos continuam em expansão.
Além disso, a entrada de grandes players diversifica a demanda. Diferentemente de ciclos anteriores, marcados por forte atuação do varejo, o mercado atual apresenta maior equilíbrio. Dessa forma, reduz-se a probabilidade de movimentos extremos.
Empresas ampliam exposição ao Bitcoin
Outro ponto destacado envolve empresas de capital aberto que acumulam Bitcoin em seus balanços. A Strategy, anteriormente conhecida como MicroStrategy, segue como a maior detentora corporativa do ativo.
A companhia atravessou a recente queda com relativa resiliência, apoiada em sua estratégia de captação de recursos. Assim, manteve compras mesmo em cenários adversos. Em determinados momentos, essas aquisições chegaram a superar a emissão de novos Bitcoins.
Como resultado, a atuação da empresa contribuiu para absorver parte da oferta disponível, o que ajudou a sustentar os preços durante a correção.
Riscos permanecem no radar
Apesar do viés positivo, os analistas apontam riscos. Um período prolongado de baixa pode pressionar empresas a refinanciarem dívidas em condições menos favoráveis. Além disso, eventuais vendas de reservas não podem ser descartadas.
Por outro lado, a continuidade da demanda institucional tende a compensar parte dessas pressões. Ainda assim, o cenário depende das condições de liquidez global e do apetite por risco.
Em conclusão, a Bernstein mantém sua visão otimista. A expectativa é de que o Bitcoin alcance US$ 150.000 até o fim de 2026. Em um cenário mais favorável, o ativo pode testar níveis próximos de US$ 200.000 até 2027, caso a adoção institucional continue avançando.