XRP pode ganhar espaço com projeto blockchain da SWIFT

A SWIFT avança no desenvolvimento de uma nova infraestrutura de pagamentos internacionais com tecnologia de registro distribuído, envolvendo mais de 40 instituições financeiras globais. A previsão inicial aponta para possível implementação a partir de meados de 2026. Nesse contexto, embora o projeto não mencione diretamente ativos específicos, o movimento abre espaço para que o XRP seja considerado como alternativa de liquidez.

Além disso, essa conexão ocorre de forma indireta, o que diferencia a iniciativa de parcerias tradicionais. Isso porque a integração passa pela Thunes, empresa de pagamentos conectada à rede da SWIFT e que possui relação com soluções da Ripple.

Assim, soluções da Ripple que utilizam o XRP para liquidez sob demanda podem se beneficiar desse ambiente em evolução. Ainda que o uso não seja obrigatório, o ativo passa a integrar um cenário estratégico mais amplo.

Integração entre SWIFT, Thunes e Ripple

Participação de grandes bancos globais

O mercado acompanha essa evolução de perto, sobretudo porque a iniciativa já ultrapassou fases iniciais de testes. Entre os participantes estão Bank of America, JPMorgan Chase, HSBC, Deutsche Bank, BNP Paribas e Lloyds Bank. Dessa forma, grandes instituições ajudam a sinalizar tendências para o futuro dos pagamentos internacionais.

Ao mesmo tempo, a SWIFT concluiu a migração para o padrão ISO 20022 em novembro de 2025. Esse padrão amplia a qualidade dos dados e facilita a integração com ativos digitais e novas infraestruturas.

Com base nisso, a organização trabalha em um sistema de ledger compartilhado, com regras mais claras sobre taxas, câmbio e rastreabilidade. Nesse contexto, a Chainlink atua como camada de interoperabilidade entre diferentes redes, públicas e privadas.

Como o XRP pode ser utilizado

Nesse ambiente, o XRP surge como uma possível ferramenta de liquidez. A conexão ocorre via Thunes, que atende milhares de instituições financeiras globalmente e pode integrar soluções da Ripple.

Na prática, uma transação iniciada via SWIFT pode ser roteada por essa infraestrutura. Como resultado, soluções da Ripple podem ser acionadas e utilizar o XRP para liquidação quase instantânea, reduzindo a necessidade de contas pré-financiadas em moedas estrangeiras.

No entanto, o uso do ativo permanece opcional. O modelo foi desenhado com flexibilidade, permitindo que cada instituição escolha os mecanismos de liquidez mais adequados.

E se enviar dinheiro internacionalmente fosse tão simples quanto uma transferência doméstica? No último ano, buscamos transformar a experiência de pagamentos transfronteiriços com o lançamento de um novo modelo da SWIFT.

Testes com ativos digitais ampliam concorrência

Stablecoins e ativos tokenizados em foco

Essa flexibilidade também aumenta a concorrência. A SWIFT já realizou testes com diferentes ativos digitais. Em novembro de 2025, por exemplo, conduziu um experimento com o Citi utilizando USDC. Em seguida, em dezembro, testou depósitos tokenizados em parceria com HSBC e Ant International.

Posteriormente, em janeiro de 2026, testes com BNP Paribas Securities Services, Intesa Sanpaolo e Societe Generale FORGE demonstraram a liquidação de títulos tokenizados. Essas operações combinaram sistemas tradicionais e digitais.

Além disso, stablecoins avançam em estruturas reguladas, ampliando as opções dentro desse ecossistema. Assim, ativos como o USDC também ganham relevância.

Um ecossistema com múltiplas soluções

Ao mesmo tempo, a presença de soluções de interoperabilidade indica um cenário com múltiplos ativos operando simultaneamente. Em vez de um único padrão dominante, o sistema tende a acomodar diferentes modelos de liquidez.

Instituições estão integrando trilhos de liquidação digital aos sistemas tradicionais, e posicionar-se cedo nessas estruturas pode gerar vantagem competitiva.

Desse modo, a infraestrutura ainda está em construção, com bancos incorporando soluções digitais gradualmente. Nesse cenário, o XRP pode se beneficiar por já estar integrado a parte desse ecossistema.

Por outro lado, essa posição não garante protagonismo. A adoção dependerá de fatores como custo, eficiência e velocidade em comparação com outras alternativas.

Em conclusão, o avanço da SWIFT em testes com stablecoins, depósitos tokenizados e ativos digitais sugere um ambiente mais competitivo e interoperável. Nesse contexto, o papel do XRP dependerá do uso prático dentro dessa nova arquitetura global de pagamentos.