Bitcoin lidera entradas em ETFs com US$ 2,5 bi, diz Balchunas

Os ETFs de Bitcoin voltaram a registrar forte entrada de capital institucional e acumularam cerca de US$ 2,5 bilhões ao longo do mês. O movimento, por conseguinte, sinaliza uma reversão relevante após um início de 2026 marcado por saídas. Além disso, reforça uma mudança perceptível no posicionamento de investidores em relação a ativos de proteção.

Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg, avalia que houve uma inversão recente de fluxo entre ativos tradicionais e criptomoedas. Enquanto ETFs de ouro enfrentam resgates, fundos atrelados ao Bitcoin voltam a atrair capital. Ainda assim, o analista pondera que essa dinâmica não implica uma relação estruturalmente oposta entre os dois ativos.

Fluxo de ETFs de Bitcoin se recupera rapidamente

Dados recentes indicam que os ETFs de Bitcoin reduziram de forma significativa as perdas acumuladas no início do ano. Nesse sentido, o saldo negativo de 2026 está próximo de ser totalmente revertido.

Segundo Balchunas, um único pregão com entradas mais fortes poderia zerar esse déficit. A observação foi publicada na rede X, destacando a velocidade da recuperação recente.

Fluxo de ETFs de Bitcoin e ouro

Fonte: Eric Balchunas no X

Entre os destaques, o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, já teria eliminado seu saldo negativo no ano. Além disso, o fundo figura entre os ETFs com maior captação em 2026, o que chama atenção diante do contexto recente de volatilidade.

O analista descreveu o momento como uma demonstração de “força impressionante”. Isso porque, mesmo após uma queda próxima de 40% em meses anteriores, o Bitcoin continuou atraindo demanda institucional relevante.

Recuperação ocorre apesar da volatilidade

Apesar das oscilações recentes, o fluxo positivo sugere confiança crescente por parte de investidores institucionais. Em outras palavras, o comportamento indica uma abordagem mais estratégica e menos reativa às variações de curto prazo.

ETFs de ouro registram saídas no mesmo período

Em contrapartida, ETFs lastreados em ouro vêm registrando saídas de capital. Como resultado, o contraste entre os fluxos reforça a atual redistribuição de interesse entre diferentes classes de ativos.

Esse cenário tem impulsionado comparações diretas. De um lado, bilhões ingressam em produtos ligados ao Bitcoin. De outro, fundos tradicionais de ouro enfrentam resgates relevantes em poucas semanas.

Ainda assim, Balchunas ressalta que não há uma correlação inversa consistente entre os dois ativos.

“Eles estão mais próximos de uma correlação zero do que de uma relação inversa”, afirmou.

Ou seja, movimentos recentes não necessariamente definem uma tendência estrutural de longo prazo. Mesmo assim, o fluxo atual favorece o Bitcoin no ambiente institucional.

Mudança de narrativa entre ativos de proteção

Historicamente, o ouro ocupou posição dominante como reserva de valor. No entanto, o Bitcoin vem gradualmente ganhando espaço nesse debate. Assim, investidores passam a diversificar suas estratégias, ao passo que reavaliam o papel de cada ativo em portfólios.

Convicção institucional segue elevada

Outro ponto relevante envolve a postura dos investidores durante períodos de queda. Mesmo diante de desvalorizações expressivas, parte significativa do capital institucional permaneceu ou aumentou exposição ao Bitcoin.

Esse comportamento contrasta com episódios históricos do ouro, nos quais houve redução mais acentuada de posições em momentos de estresse. Dessa forma, o cenário atual sugere maior convicção relativa no ativo digital.

Além disso, a expansão dos ETFs continua ampliando o acesso institucional. Grandes instituições financeiras seguem desenvolvendo produtos relacionados ao Bitcoin, enquanto empresas como a Strategy mantêm estratégias de acumulação.

Como resultado, esse conjunto de fatores pode impactar a dinâmica de oferta e demanda ao longo do tempo. No momento da apuração, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 71.200.

Em suma, o avanço das entradas em ETFs de Bitcoin, combinado às saídas em fundos de ouro, indica uma mudança relevante no fluxo de capital. Embora ambos mantenham características de reserva de valor, o ambiente atual sugere maior protagonismo do Bitcoin entre investidores institucionais.