Schwab: Bitcoin é menos volátil que Tesla e Nvidia

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O Bitcoin apresenta sinais consistentes de amadurecimento no mercado financeiro global. Conforme análise da Charles Schwab, a volatilidade do ativo digital recuou nos últimos anos e, mais recentemente, passou a ficar abaixo da observada em grandes empresas de tecnologia, como Tesla e Nvidia.

Esse movimento ocorre em paralelo ao avanço da adoção institucional. Nesse sentido, há indicações de que grandes bancos ampliam sua exposição ao setor. O Morgan Stanley, por exemplo, recebeu um aviso de listagem na NYSE relacionado a um possível ETF vinculado ao Bitcoin, etapa que costuma anteceder lançamentos, embora não represente garantia de estreia imediata.

Volatilidade se aproxima de ativos tradicionais

Dados da Schwab indicam que a volatilidade histórica do Bitcoin caiu para cerca de 42% em 2025. Em comparação, o nível representa aproximadamente metade do observado em 2021. Ao mesmo tempo, a Tesla registrou volatilidade de 63%, enquanto a Nvidia ficou em torno de 50%, ambas acima do ativo digital.

A tabela mostra que a volatilidade do Bitcoin ficou abaixo de Nvidia e Tesla em 2025. Fonte: Charles Schwab

Além disso, indicadores de variação diária sugerem uma mudança no comportamento do ativo. Em outras palavras, o Bitcoin passa a se aproximar da dinâmica de ações consolidadas e, gradualmente, se afasta do perfil altamente especulativo que marcou seus primeiros anos.

Segundo a análise, essa transformação reflete a integração crescente do Bitcoin ao sistema financeiro tradicional. Atualmente, o ativo é negociado globalmente por meio de produtos regulados, como ETFs, o que tende a reduzir oscilações extremas ao longo do tempo.

Quedas persistem, mas seguem padrão de mercado

Apesar da redução na volatilidade, o Bitcoin ainda registra variações relevantes. Em 2025, por exemplo, o ativo chegou a cair cerca de 30%, movimento que se estendeu parcialmente para o início de 2026. Em um horizonte de três anos, a queda acumulada do topo ao fundo se aproximou de 50%.

No entanto, esse comportamento não é exclusivo das criptomoedas. No mesmo intervalo, ações de tecnologia também apresentaram oscilações expressivas. A Tesla, por exemplo, registrou queda máxima de aproximadamente 54%, enquanto a Nvidia recuou cerca de 37% em seu pior momento.

Bitcoin sendo negociado próximo de US$ 69.534. Gráfico: TradingView

Assim, os dados sugerem que ativos de crescimento elevado tendem a compartilhar padrões semelhantes de volatilidade. Ainda que o Bitcoin permaneça sensível a oscilações, ele passa a se enquadrar em um contexto mais amplo de ativos de risco.

Diferenças permanecem em ciclos mais longos

Quando analisado em períodos mais extensos, o Bitcoin ainda apresenta movimentos mais intensos. Durante o mercado de baixa de 2022, por exemplo, o ativo recuou cerca de 77% desde o topo. Em comparação, a Tesla caiu aproximadamente 74%, enquanto a Nvidia registrou retração de 66%.

Além disso, a Schwab também comparou o desempenho do Bitcoin com commodities. Os contratos futuros de prata exibiram variações diárias mais erráticas, embora com quedas totais menores. Por outro lado, o ouro manteve comportamento mais estável, reforçando sua posição como ativo de proteção.

No universo das criptomoedas, o Bitcoin também se destaca por sua estabilidade relativa. O Ethereum, por exemplo, continua apresentando maior volatilidade e retrações mais acentuadas, ampliando a diferença entre os dois ativos desde 2021.

Percepção do mercado segue em transformação

O estudo da Schwab indica uma mudança gradual na forma como o Bitcoin é percebido. Atualmente, o ativo passa a ser comparado com ações consolidadas, em vez de ser visto apenas como um instrumento altamente especulativo. Essa transição ocorre, sobretudo, devido à expansão de produtos financeiros regulados e ao interesse crescente de grandes instituições.

Ao mesmo tempo, o comportamento do Bitcoin em cenários de crise seguirá sendo determinante para consolidar essa nova posição. Embora os avanços sejam evidentes, o ativo ainda permanece exposto a períodos de estresse nos mercados globais.

Em suma, os dados apontam que a volatilidade do Bitcoin recuou significativamente e já se aproxima, ou até fica abaixo, da observada em grandes ações de tecnologia. Ainda assim, suas oscilações continuam relevantes, embora cada vez mais alinhadas ao comportamento de ativos de risco tradicionais.

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