ONUS: prisões expõem fraude cripto no Vietnã

A polícia do Vietnã desmantelou um esquema de fraude com criptomoedas descrito pelas autoridades como de grande escala, envolvendo bilhões de dólares e ativos digitais sem lastro. O caso gira em torno da ONUS, um aplicativo de investimento e exchange que atraiu milhões de usuários no país. Nesse sentido, o episódio acende um alerta relevante para investidores em mercados com supervisão limitada.

Autoridades investigam operação ligada à ONUS

O Ministério da Segurança Pública do Vietnã anunciou a prisão de ao menos sete pessoas ligadas à operação da ONUS. Conforme a AFP, entre os detidos está Vuong Le Vinh Nhan, também conhecido como Eric Vuong, além de outros seis suspeitos.

Antes das prisões, cerca de 140 indivíduos foram convocados para interrogatório. Agora, os investigados enfrentam acusações como apropriação de bens e lavagem de dinheiro. Ao mesmo tempo, a plataforma ficou inacessível por volta de 20 de março, deixando usuários sem acesso aos fundos.

Segundo as autoridades, o grupo operava desde 2018. Eles teriam criado ativos digitais próprios e os comercializado dentro da plataforma, além de manipular oferta, demanda e preços. Como resultado, investidores eram atraídos por retornos que pareciam consistentes, mas que, na prática, podem ter sido artificialmente sustentados.

Milhões de usuários foram potencialmente impactados. Um investidor relatou perdas superiores a US$ 15 mil, indicando o alcance financeiro do caso.

Ambiente regulatório favorece riscos

O Vietnã se consolidou como um dos mercados mais ativos em criptomoedas no varejo. Estimativas indicam que cerca de 17 milhões de pessoas possuem ativos digitais no país. Contudo, embora o uso como meio de pagamento seja proibido, a negociação ocorre em uma zona regulatória ainda pouco definida.

Esse cenário, por conseguinte, abre espaço para fraudes. Casos anteriores reforçam essa leitura. Em 2018, cerca de 32 mil pessoas foram afetadas por um golpe estimado em US$ 658 milhões ligado à Modern Tech JSC. Já em 2024, uma operação atribuída à empresa “Million Smiles” teria causado prejuízos de aproximadamente US$ 1,17 milhão.

Assim, mesmo com ações pontuais de fiscalização, a resposta costuma ocorrer após a expansão dos esquemas. Dessa forma, plataformas conseguem operar por anos antes de serem interrompidas.

Impactos e lições para investidores

O caso da ONUS evidencia riscos estruturais em mercados emergentes de criptomoedas. Em primeiro lugar, a supervisão limitada pode permitir práticas abusivas. Além disso, a liquidez pode desaparecer rapidamente em momentos de crise.

Por exemplo, plataformas locais podem restringir saques de forma repentina. Como resultado, investidores ficam impossibilitados de acessar seus próprios recursos. Ao mesmo tempo, projetos que operam fora do radar regulatório exigem análise mais criteriosa.

Fatores jurídicos e geográficos, portanto, tornam-se tão relevantes quanto indicadores técnicos. Em outras palavras, compreender o ambiente regulatório é essencial para mitigar riscos.

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O preço do Bitcoin caiu abaixo de US$ 68 mil. Fonte: TradingView

Alerta que ultrapassa o Vietnã

O colapso da ONUS afetou um grande número de investidores, muitos dos quais perderam acesso aos ativos. Nesse sentido, o episódio reforça os riscos associados a plataformas que operam com ativos não verificáveis e possível manipulação de mercado.

Além disso, as acusações de lavagem de dinheiro e apropriação indevida indicam a gravidade do caso. Ainda assim, o impacto financeiro direto sobre os usuários permanece significativo. Por fim, o episódio serve como alerta global, especialmente para investidores expostos a ambientes com regulamentação limitada.