Bitcoin perde força frente ao ouro, aponta análise

O Bitcoin voltou a enfrentar pressão vendedora após não sustentar o nível de US$ 70.000. Como resultado, o movimento reacendeu dúvidas sobre sua força no curto prazo. Ao mesmo tempo, ganhou tração a narrativa de uma possível rotação de capital do ouro para a criptomoeda.

Embora essa tese circule entre analistas, os dados atuais ainda não confirmam essa migração. Em outras palavras, os indicadores técnicos não validam, até agora, uma transição consistente entre os dois ativos.

Divergência entre Bitcoin e ouro entra em foco

Indicadores sugerem desalinhamento de tendência

Segundo o analista conhecido como Darkfost, há uma divergência crescente entre o desempenho do ouro e do Bitcoin. O ouro, que acumulou forte valorização ao longo do último ano, entrou em correção após cair abaixo de sua média móvel de 180 dias. Esse movimento pode estar ligado, ao menos em parte, a liquidações forçadas e chamadas de margem, e não necessariamente a uma mudança estrutural de fundamentos.

Enquanto isso, o Bitcoin segue em consolidação e permanece abaixo de níveis relevantes. Atualmente, o ativo também negocia abaixo de sua média móvel de 180 dias, estimada em US$ 89.700. Assim, o cenário enfraquece a leitura de rotação de capital no curto prazo.

Para que essa narrativa ganhe consistência, seria necessário que o Bitcoin superasse sua média de longo prazo, enquanto o ouro permanecesse abaixo da sua. No momento, apenas parte dessa condição foi atendida, o que indica ausência de confirmação técnica.

Sinal técnico segue negativo para o BTC

Modelo indica falta de força relativa

O modelo utilizado por Darkfost compara os ativos com base em suas médias móveis de 180 dias. Assim, quando o Bitcoin está acima dessa média e o ouro abaixo, o sinal tende a favorecer fluxo para o BTC. Por outro lado, quando ambos operam abaixo, o cenário é interpretado como negativo.

No momento, tanto o ouro quanto o Bitcoin estão abaixo de suas respectivas médias. Portanto, o modelo aponta um sinal negativo. Ainda que a narrativa de rotação esteja em circulação, os dados não sustentam essa tese de forma concreta.

Além disso, o analista ressalta que o modelo mede divergência de tendência, e não fluxo real de capital. Ou seja, assumir uma migração direta de recursos entre os ativos pode ser uma extrapolação baseada em padrões históricos.

Esse quadro só mudaria caso o Bitcoin volte a negociar acima de US$ 89.700, enquanto o ouro permaneça pressionado abaixo de sua média. Até lá, o cenário segue indefinido.

Bitcoin e ouro

Fonte: CryptoQuant

Relação Bitcoin/ouro reforça perda de força

Indicador mostra queda no poder relativo do BTC

Outro indicador relevante reforça o momento mais fraco do Bitcoin. A relação entre Bitcoin e ouro caiu para 15,07, com recuo semanal de 4,02%. Após atingir uma máxima recente de 16,55, o indicador perdeu força rapidamente.

Essa métrica indica quantas onças de ouro podem ser compradas com um Bitcoin. No auge do ciclo, no final de 2024, esse número se aproximou de 40. Agora, gira em torno de 15, o que sugere uma queda expressiva no poder de compra relativo do BTC ao longo do período.

Relação Bitcoin ouro

Fonte: TradingView

No gráfico semanal, a estrutura técnica também se deteriorou. O indicador rompeu abaixo das médias móveis de 50, 100 e 200 semanas. Além disso, ocorreu um cruzamento de baixa entre médias mais curtas, o que reforça o viés negativo.

Atualmente, o preço testa a região entre 14 e 15, considerada suporte relevante. Caso esse nível seja perdido, o próximo suporte pode surgir em faixas observadas em 2023, o que aumenta a cautela no curto prazo.

Em suma, apesar da narrativa de migração de capital do ouro para o Bitcoin ganhar visibilidade, os dados ainda apontam fragilidade. O Bitcoin segue abaixo de níveis-chave, enquanto o ouro mantém influência relevante no cenário macro. Assim, o mercado tende a acompanhar de perto uma eventual recuperação do BTC acima de sua média de longo prazo, condição vista como importante para sustentar essa tese.