Bitcoin: opções indicam risco abaixo de US$ 66 mil
O Bitcoin enfrenta uma mudança relevante de sentimento no mercado de opções, à medida que investidores ampliam apostas de queda no curto prazo. Nesse contexto, cresce a expectativa de que o ativo permaneça próximo ou abaixo de US$ 66.000 até o fim de abril, refletindo uma virada recente no humor após a desvalorização dos preços.
Mercado de opções aponta maior busca por proteção
Em primeiro lugar, um dos principais sinais dessa mudança é o delta skew de 30 dias, que avançou para 15%. Esse nível indica que traders estão pagando mais caro por proteção contra quedas, o que, por sua vez, sugere aumento do receio no curto prazo.
Em condições típicas, o indicador oscila entre -6% e 6%. No entanto, dados da Deribit mostram que opções de venda com preço de exercício em US$ 66.000 eram negociadas a 0,0580 BTC, cerca de US$ 3.786, com vencimento em 24 de abril.
Além disso, essa precificação sugere uma probabilidade implícita próxima de 50% de o Bitcoin permanecer abaixo desse nível até o fim do mês. Desde meados de janeiro, o sentimento mais cauteloso também aparece no Índice de Medo e Ganância.
Ao mesmo tempo, a pressão se intensificou após uma queda recente. O Bitcoin recuou para cerca de US$ 65.500, acumulando perda de aproximadamente 7,5% em relação aos US$ 71.300 do dia anterior. Como resultado, mais de US$ 200 milhões em posições compradas alavancadas foram liquidadas, enquanto grande parte das opções de compra perdeu valor antes do vencimento mensal estimado em US$ 18,5 bilhões.

Preços de opções de Bitcoin para 24 de abril. Fonte: Deribit
O domínio das posições de proteção também se destacou. Opções de venda com strike em US$ 69.000 ou superior concentraram mais de US$ 2 bilhões em interesse aberto. Em contrapartida, uma parcela significativa das opções de compra expirou sem valor.
Por outro lado, parte desse movimento pode não refletir apenas convicção de queda. Há indícios de redução de exposição antes do fim de semana, especialmente em períodos de maior risco geopolítico e com mercados tradicionais fechados.

Fonte: Alternative.me
Pressões macroeconômicas ganham relevância
Além dos fatores internos do mercado cripto, o ambiente macroeconômico também contribui para a cautela. O petróleo West Texas Intermediate (WTI) chegou a operar próximo de US$ 100 por barril em meio a tensões no Oriente Médio, enquanto projeções indicam possível aumento relevante nos gastos militares dos Estados Unidos.
Bitcoin sendo negociado próximo de US$ 66.160. Gráfico: TradingView
Esse cenário tende a elevar preocupações inflacionárias e, consequentemente, favorecer ativos considerados mais seguros. Nesse sentido, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de cinco anos subiram para cerca de 4%, ante 3,70% três semanas antes. Ao mesmo tempo, o índice S&P 500 recuou para níveis não vistos desde setembro de 2025.
Desempenho relativo e cenário de curto prazo
Em 2026, o Bitcoin apresenta desempenho cerca de 20% inferior ao do S&P 500. Esse descolamento sugere mudanças no apetite por risco, embora também reflita o impacto do ambiente macroeconômico.
No curto prazo, o mercado de opções sinaliza viés mais negativo. Assim, a combinação de pressões externas, liquidações recentes e maior demanda por proteção favorece movimentos descendentes.
Além disso, a capacidade do Bitcoin de sustentar o nível de US$ 66.000 dependerá, cada vez mais, de fatores externos, como decisões políticas nos Estados Unidos e a evolução das tensões geopolíticas.
Em conclusão, os dados atuais reforçam um cenário de cautela. O aumento do custo de hedge, as liquidações e a migração para ativos defensivos indicam maior probabilidade de volatilidade elevada no curto prazo.