Visa permite liquidação com stablecoins no Brasil
A Visa anunciou a ampliação de sua infraestrutura de pagamentos ao permitir a liquidação de transações com stablecoins no Brasil. A funcionalidade, que já vinha sendo testada em outros mercados, passa a atender emissores e adquirentes locais que operam cartões multimoedas ou vinculados a criptomoedas.
Com isso, essas instituições podem liquidar transações internacionais diretamente com ativos digitais como USDC e PYUSD, reduzindo a necessidade de conversões intermediárias para moedas fiduciárias. Na prática, a medida tende a simplificar processos, além de potencialmente reduzir custos e prazos operacionais.
Segundo a Visa, a iniciativa faz parte de um movimento mais amplo de integração entre sistemas financeiros tradicionais e soluções baseadas em blockchain. Esse avanço indica uma tentativa de ampliar o uso prático de ativos digitais em pagamentos cotidianos.
Liquidação contínua e maior eficiência operacional
De acordo com Antônia Souza, diretora de Moedas Digitais para América Latina e Caribe da Visa, a expectativa é que a novidade estimule o crescimento de cartões baseados em stablecoins no país. Além disso, a executiva destaca que a tecnologia blockchain permite liquidações contínuas.
“A liquidação em stablecoin acontece 24 horas por dia, sete dias por semana, porque ocorre na blockchain, que não para”, afirmou.
Assim, empresas passam a operar com menos dependência dos horários do sistema bancário tradicional. Como resultado, o fluxo de caixa pode se tornar mais eficiente, especialmente em períodos com feriados e fins de semana.
Outro ponto relevante é a velocidade das operações. Transferências internacionais, que podem levar vários dias no modelo tradicional, passam a ser processadas em prazos significativamente menores, dependendo da infraestrutura utilizada. Isso também pode aumentar a previsibilidade das transações.
Comparação com sistemas tradicionais
Segundo a executiva, as stablecoins oferecem uma experiência de liquidação que se aproxima da agilidade de sistemas como o Pix, porém com alcance internacional. Enquanto o Pix atende majoritariamente ao mercado doméstico, esses ativos digitais ampliam essa lógica para operações globais.
Além disso, a redução de intermediários tende a simplificar a estrutura dos pagamentos. Dessa forma, empresas podem otimizar processos e reduzir a dependência de múltiplos agentes financeiros.
Esse movimento acompanha iniciativas de grandes players do setor, como a própria Visa, que vêm explorando a aplicação de blockchain em escala global.
Ambiente regulatório ainda influencia adoção
O avanço regulatório no Brasil também aparece como fator relevante para a expansão das stablecoins. Conforme avalia Souza, regras mais claras tendem a atrair investidores institucionais, que exigem maior segurança jurídica antes de alocar capital.
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento regulatório pode destravar novos fluxos de investimento no setor. Ainda assim, a executiva ressalta que é necessário equilíbrio para não comprometer a inovação.
Discussões sobre tributação, como a possível incidência de IOF em operações com criptomoedas, perderam força recentemente. No entanto, o tema segue no radar e pode evoluir conforme o mercado amadurece.
Proposta de valor permanece competitiva
Mesmo em cenários com eventual tributação, a utilidade das stablecoins tende a se manter relevante. Isso porque esses ativos continuam oferecendo rapidez, alcance global e eficiência operacional.
Empresas que realizam transferências internacionais com frequência podem se beneficiar de forma mais direta. Por consequência, a proposta de valor segue competitiva frente aos modelos tradicionais.
Integração com sistema financeiro deve avançar
Apesar do avanço, o cenário mais provável não aponta para substituição completa do sistema financeiro tradicional. Em vez disso, o mercado caminha para um modelo híbrido, no qual soluções baseadas em blockchain coexistem com estruturas já consolidadas.
Esse processo tende a ocorrer de forma gradual. Ao mesmo tempo, projetos com aplicações concretas e fundamentos sólidos devem ganhar mais espaço, enquanto iniciativas sustentadas apenas por tendências podem perder relevância.
Em resumo, a chegada da liquidação com stablecoins ao Brasil reforça a convergência entre finanças tradicionais e ativos digitais. A iniciativa abre espaço para maior eficiência operacional e sugere um avanço consistente na adoção institucional desses ativos no país.