Bitcoin pode cair com fraqueza no emprego dos EUA

O cenário macroeconômico global segue pressionando ativos de risco, sobretudo o Bitcoin. Atualmente, tensões geopolíticas e expectativas inflacionárias elevadas nos Estados Unidos continuam moldando o comportamento dos mercados. Além disso, dados recentes do mercado de trabalho reforçam preocupações sobre o desempenho da criptomoeda.

De acordo com análises de mercado, a desaceleração no emprego tende a afetar o apetite por risco. Assim, investidores passam a reavaliar posições em ativos mais voláteis. Nesse contexto, o Bitcoin pode enfrentar pressão adicional, especialmente se o ambiente macroeconômico continuar se deteriorando.

Participação da força de trabalho entra no radar

Indicador ganha relevância entre analistas

Em publicação na plataforma X, João Wedson, fundador e CEO da Alphractal, destacou a queda na taxa de participação da força de trabalho nos Estados Unidos. Segundo ele, o indicador ainda recebe pouca atenção, embora traga sinais relevantes sobre a atividade econômica.

Ao analisar dados das últimas duas décadas, Wedson comparou o indicador com o desempenho do índice S&P 500. Conforme observado, a participação atingiu o pico por volta de 2000, caiu durante a crise de 2008, recuperou parcialmente e voltou a recuar de forma acentuada durante a pandemia de COVID-19.

Bitcoin

Fonte: @joao_wedson no X

Segundo o analista, quedas relevantes nesse indicador costumam anteceder movimentos negativos no mercado acionário. Ainda assim, pode haver um intervalo em que os ativos resistem. No entanto, essa dissociação tende a não se sustentar por longos períodos.

Bitcoin

Fonte: @joao_wedson no X

Além disso, o comportamento do Bitcoin frequentemente segue padrão semelhante. Ou seja, o ativo tende a reagir negativamente em períodos de estresse macroeconômico. Dessa forma, a atual queda na participação da força de trabalho reforça o sinal de alerta entre investidores.

Histórico sugere cautela no cenário atual

Wedson relembrou que, em 2020, a forte queda no indicador coincidiu com uma mínima relevante no Bitcoin. Naquele momento, porém, houve um fator determinante: a injeção massiva de liquidez global, que impulsionou uma recuperação expressiva dos mercados.

No cenário atual, por outro lado, não há sinais claros de estímulos semelhantes. Assim, o mercado pode enfrentar mais dificuldade para sustentar uma recuperação consistente. Em outras palavras, o contexto atual parece menos favorável do que no ciclo anterior.

“Uma taxa de participação em queda significa menos pessoas trabalhando, menor consumo e uma economia real mais fraca. O mercado pode se descolar dessa realidade por um tempo, mas não indefinidamente.”

O analista avalia que o principal risco envolve um choque macroeconômico mais amplo. Nesse caso, investidores tenderiam a adotar uma postura mais defensiva. Como resultado, ativos de risco como o Bitcoin poderiam sofrer saídas relevantes de capital.

Ao mesmo tempo, Wedson destacou a queda do Coinbase Premium, indicador que mede a demanda institucional nos Estados Unidos. A redução sugere menor interesse de grandes investidores, o que reforça o viés de cautela no curto prazo.

Preço do Bitcoin reflete pressão macroeconômica

Movimento recente ainda é limitado

No momento da redação, o Bitcoin é negociado próximo de US$ 66.750. O valor representa alta de cerca de 1% nas últimas 24 horas. Ainda assim, o ativo acumula queda superior a 5% na semana.

Portanto, apesar de uma recuperação pontual, o movimento geral ainda reflete o impacto do cenário macroeconômico. Além disso, a ausência de novos estímulos globais limita o potencial de alta no curto prazo.

Bitcoin

O preço do BTC no gráfico diário | Fonte: TradingView

Em suma, os dados reforçam a relação entre mercado de trabalho, crescimento econômico e ativos de risco. Nesse sentido, uma economia mais fraca tende a reduzir o apetite por investimentos mais voláteis.

Assim, o comportamento do Bitcoin deve continuar fortemente atrelado aos indicadores macroeconômicos, especialmente emprego e liquidez global, que seguem no radar dos investidores.