Bitmain sob investigação nos EUA e laços com Trump
Uma investigação federal envolvendo a fabricante chinesa de hardware Bitmain segue sem conclusão pública nos Estados Unidos. Nesse sentido, a falta de transparência passou a gerar pressão política em Washington. Além disso, o caso também trouxe a família do presidente Donald Trump para o centro do debate sobre segurança nacional e possíveis conflitos de interesse.
Pressão política aumenta em torno da investigação
Em primeiro lugar, a senadora Elizabeth Warren intensificou o tema ao enviar uma carta ao secretário de Comércio, Howard Lutnick. Ela solicitou documentos internos e comunicações relacionadas à Bitmain, empresa sediada em Pequim e responsável por uma parcela relevante das máquinas de mineração de Bitcoin utilizadas globalmente.
Conforme reportou, Warren questiona quais medidas foram adotadas para mitigar possíveis riscos à segurança nacional. Além disso, busca esclarecer se relações comerciais com a família Trump podem ter influenciado decisões dentro do governo.
A investigação, chamada de “Operation Red Sunset”, é conduzida pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. O foco envolve avaliar se equipamentos ASIC da Bitmain apresentam vulnerabilidades que possam ser exploradas remotamente. Dessa forma, autoridades analisam potenciais riscos de espionagem e impactos em infraestruturas críticas, como a rede elétrica.
Embora o inquérito tenha começado durante o governo Joe Biden, ele continuou nos primeiros meses do atual mandato de Donald Trump. No entanto, ainda não houve divulgação pública de conclusões. Assim, a ausência de respostas claras tem ampliado a preocupação entre legisladores.
Histórico de preocupações com segurança
As dúvidas sobre a segurança dos equipamentos da Bitmain não são recentes. Em julho de 2025, um relatório do Comitê de Inteligência do Senado indicou que dispositivos da empresa poderiam, em determinadas condições, ser compelidos a compartilhar dados com autoridades chinesas, em linha com a legislação de segurança nacional do país.
Além disso, anteriormente, uma revisão federal determinou a venda de uma operação de mineração próxima à base da Força Aérea Francis E. Warren, no estado de Wyoming. A decisão ocorreu em meio a preocupações com equipamentos de origem estrangeira.
Laços com a família Trump ampliam controvérsia
Ao mesmo tempo, o componente político ganhou força após a revelação de compras relevantes envolvendo a família Trump. A empresa American Bitcoin Corp., cofundada por Eric Trump e Donald Trump Jr. em parceria com a mineradora Hut 8, adquiriu equipamentos da Bitmain em larga escala.
Segundo documentos citados na apuração, a companhia firmou, em agosto de 2025, um contrato para comprar 16 mil máquinas por cerca de US$ 314 milhões. O pagamento teria sido estruturado em Bitcoin comprometido, e não em dinheiro, modelo que chamou atenção pelo formato incomum.
Posteriormente, a operação foi ampliada. Relatórios indicam a adição de mais 11.298 máquinas. Como resultado, a capacidade total teria alcançado aproximadamente 89 mil equipamentos, com poder de mineração estimado em 28,1 exahashes por segundo.
Expansão e questionamentos sobre conflito de interesse
Além da expansão operacional, a American Bitcoin acumula cerca de 6.900 BTC em tesouraria, avaliados em aproximadamente US$ 462 milhões com base em preços recentes. Assim, a empresa se posiciona como um player relevante no setor de mineração.
No entanto, Warren questiona se decisões relacionadas à segurança nacional podem ter sido influenciadas por esses vínculos comerciais. Em outras palavras, a senadora busca garantir que políticas públicas permaneçam independentes de interesses privados.
Em suma, o caso reúne preocupações técnicas e políticas. Por um lado, autoridades analisam riscos associados à infraestrutura de mineração. Por outro, crescem dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo figuras públicas. Enquanto a investigação segue sem desfecho, o tema continua a gerar debate em Washington.