IRS: 2/3 dos investidores desconhecem novas regras

Cerca de dois terços dos investidores de criptomoedas nos Estados Unidos iniciam a temporada de declaração sem conhecer as novas exigências do IRS. O dado vem de uma pesquisa com 3.000 usuários conduzida pela Coinbase em parceria com a CoinTracker e aponta confusão sobre custo de aquisição, eventos tributáveis e o formulário 1099-DA.

Embora o mercado de criptomoedas avance rapidamente, muitos investidores ainda enfrentam dificuldades práticas para cumprir regras fiscais. Nesse sentido, a falta de compreensão pode gerar erros relevantes e aumentar o risco de penalidades. Assim, o estudo indica que parte significativa dos usuários reconhece a tributação, mas não domina sua aplicação.

Descompasso entre conhecimento e prática fiscal

Conforme o relatório, 74% dos investidores sabem que operações com criptomoedas são tributáveis. No entanto, 61% afirmam desconhecer as atualizações recentes do IRS. Em outras palavras, há consciência geral, mas falta entendimento técnico.

Além disso, poucos utilizam ferramentas específicas para cálculo de impostos. Como resultado, muitos não conseguem organizar registros ou acompanhar transações com precisão, o que compromete a qualidade das declarações fiscais.

“Os usuários estão enfrentando dificuldades para lidar com a complexidade da tributação de criptomoedas”, afirmou Lawrence Zlatkin, vice-presidente de impostos da Coinbase. “Nosso objetivo é ajudá-los a declarar com precisão e confiança.”

Ao mesmo tempo, a definição de evento tributável ainda gera dúvidas. Por exemplo, 49% acreditam que apenas a venda gera imposto. Já 41% entendem que transferências para contas bancárias também seriam tributáveis. Enquanto isso, 36% pensam que a cobrança ocorre somente acima de determinados lucros.

Custo de aquisição e erros recorrentes

As transferências entre carteiras representam outro ponto crítico. Embora 71% dos usuários movimentem ativos entre contas, apenas 35% atualizam corretamente o custo de aquisição. Dessa forma, erros nesse cálculo podem distorcer ganhos e valores de impostos devidos.

Segundo Shehan Chandrasekera, chefe de estratégia tributária da CoinTracker, investidores devem calcular com precisão o custo de aquisição, o período de retenção e os ganhos. Ainda assim, corretoras podem não fornecer relatórios completos conforme exigido pelo IRS a partir de 2025, o que reforça a responsabilidade individual.

Erros nesse processo, por conseguinte, podem resultar em multas relevantes. Em situações mais graves, podem levar a penalidades mais severas, especialmente quando há interpretação de omissão deliberada. Assim, cresce a necessidade de educação fiscal no setor.

Pressão global por conformidade

A dificuldade não se limita aos Estados Unidos. Globalmente, investidores enfrentam desafios semelhantes. De acordo com a pesquisa, 78% utilizam softwares fiscais genéricos, enquanto 52% recorrem a contadores tradicionais. Contudo, apenas 8% adotam soluções especializadas em criptomoedas.

Além disso, reguladores intensificam a supervisão. O Vietnã, por exemplo, anunciou medidas que incluem tributação sobre transações com criptomoedas. Enquanto isso, a Coreia do Sul revisa práticas de custódia após perdas de cerca de US$ 4,8 milhões associadas ao vazamento de uma frase de carteira.

Tendência de maior fiscalização

Esses movimentos indicam uma tendência de maior controle regulatório. Portanto, investidores precisam aprimorar seus processos de conformidade. Caso contrário, podem enfrentar prejuízos financeiros e riscos legais.

Em resumo, os dados apontam um cenário de desalinhamento. Embora a maioria reconheça a tributação, uma parcela relevante ainda desconhece as regras atualizadas do IRS. Além disso, falhas no cálculo do custo de aquisição seguem comuns, o que mantém elevado o risco de erros fiscais no mercado cripto.