EUA propõem lei para mineração de Bitcoin
Senadores republicanos dos Estados Unidos apresentaram um projeto de lei que pode influenciar diretamente o setor de mineração de Bitcoin no país. A proposta, chamada “Mined in America Act”, busca fortalecer a produção doméstica e reduzir a dependência de hardware estrangeiro.
A iniciativa é liderada pelos senadores Bill Cassidy e Cynthia Lummis. Ambos defendem que a mineração de ativos digitais pode assumir um papel estratégico na economia americana. Nesse sentido, o projeto procura incentivar infraestrutura local e, ao mesmo tempo, avançar na clareza regulatória.
Segundo os legisladores, a medida tenta alinhar interesses econômicos e de segurança nacional. Como resultado, abre espaço para um crescimento mais estruturado do setor e reforça o posicionamento dos EUA no mercado global de ativos digitais.
Foco em produção doméstica e segurança
O texto propõe a criação de um programa federal de certificação para operações de mineração realizadas em território americano. Assim, a iniciativa pretende estabelecer padrões de segurança e rastreabilidade dos equipamentos utilizados.
Atualmente, os Estados Unidos concentram cerca de 38% do poder computacional da rede Bitcoin. No entanto, a maior parte do hardware especializado ainda é fabricada por empresas chinesas, como Bitmain e MicroBT, o que levanta preocupações estratégicas.
De acordo com o projeto, essa dependência pode representar riscos econômicos e operacionais. O debate ganhou força após relatos de inspeções em equipamentos importados que indicariam possíveis vulnerabilidades, incluindo riscos de acesso remoto indevido.
Para mitigar esse cenário, a proposta orienta órgãos como o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) e o Manufacturing Extension Partnership a apoiar o desenvolvimento de hardware nacional. Ainda assim, o texto não prevê novos gastos diretos, priorizando a integração com programas já existentes.
“A mineração de ativos digitais é uma parte importante da nossa economia. Devemos fazê-la aqui nos Estados Unidos”, afirmou Cassidy.
Cynthia Lummis acrescentou que a proposta integra um esforço mais amplo para posicionar o país como um polo global de ativos digitais, incentivando a relocalização da indústria.
Energia e eficiência no setor
Outro eixo relevante envolve a relação entre mineração e políticas energéticas. Nesse contexto, a atividade é tratada como potencial ferramenta de equilíbrio da rede elétrica, especialmente ao aproveitar energia excedente.
Operadores certificados poderão acessar programas do Departamento de Energia e do Departamento de Agricultura. Dessa forma, projetos que utilizem energia renovável excedente ou capturem emissões de metano podem ganhar incentivo.
Essa abordagem reforça a narrativa de que a mineração pode contribuir para eficiência energética. Em outras palavras, o setor passa a ser visto não apenas como consumidor de energia, mas também como agente de otimização.
A proposta também recebeu apoio de grupos como o Satoshi Action Fund, que avaliam o projeto como um avanço na integração entre políticas industriais, energéticas e financeiras.
Proposta inclui reserva estratégica de Bitcoin
Outro ponto relevante do projeto envolve a formalização de uma reserva estratégica de Bitcoin no âmbito do Departamento do Tesouro. Embora o governo dos EUA já detenha ativos digitais apreendidos, a proposta sugere um modelo estruturado de retenção.
O texto indica mecanismos considerados neutros do ponto de vista orçamentário. Entre eles, está a conversão de ativos digitais obtidos em processos legais em Bitcoin, o que poderia ampliar a reserva sem novos aportes diretos.
Além disso, mineradores certificados poderiam vender Bitcoin diretamente ao governo. Em contrapartida, o projeto menciona possíveis incentivos fiscais, como forma de estimular essa dinâmica.
Por fim, a proposta também busca consolidar diretrizes anteriores relacionadas ao tema em nível legal. Caso avance, o “Mined in America Act” tende a conectar mineração, política energética e रणनी estratégia financeira em uma abordagem mais integrada.
Em conclusão, o projeto sinaliza uma tentativa de fortalecer a soberania tecnológica dos EUA no setor de ativos digitais, ao mesmo tempo em que reduz dependências externas e amplia o papel do país no ecossistema global de Bitcoin.