Bitcoin lidera saídas de US$ 414 mi em fundos
Os fundos de ativos digitais registraram saída líquida de US$ 414 milhões na última semana, marcando uma reversão relevante no comportamento dos investidores. Ao mesmo tempo, o movimento interrompeu uma sequência recente de entradas e reflete maior aversão ao risco global.
Analistas associam o fluxo negativo a preocupações persistentes com a inflação, às expectativas sobre a política de juros nos Estados Unidos e ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Nesse contexto, ativos como o Bitcoin e o Ether passaram a sofrer maior pressão.
Bitcoin e Ether concentram saídas semanais
Os ETFs spot de Bitcoin registraram saídas líquidas de US$ 296 milhões. Assim, o movimento encerrou uma sequência de quatro semanas consecutivas de entradas. Antes disso, o ativo havia atraído mais de US$ 2,2 bilhões no início do mês, evidenciando a rapidez na mudança de sentimento.
Ainda assim, o Bitcoin mantém saldo positivo em 2026, com entradas líquidas acumuladas de US$ 964 milhões. O dado sugere resiliência relativa frente a outros ativos digitais.
Por outro lado, o Ether apresentou o desempenho mais fraco entre os principais criptoativos. A criptomoeda registrou saídas de US$ 222 milhões na semana. Como resultado, seu fluxo anual passou para território negativo, acumulando US$ 273 milhões em retiradas.
Além disso, os ETFs spot de Ether sofreram saídas adicionais de US$ 206 milhões pela segunda semana consecutiva, o que indica uma desaceleração mais consistente da demanda institucional.
Enquanto isso, produtos de short-Bitcoin receberam cerca de US$ 4 milhões em aportes. Em outras palavras, parte dos investidores passou a apostar na queda do ativo, reforçando a cautela no curto prazo.
No agregado, os ativos sob gestão em produtos cripto recuaram para aproximadamente US$ 130 bilhões, nível que, segundo analistas, se aproxima de patamares observados no início de 2025.

Segundo James Butterfill, chefe de pesquisa da CoinShares, esse patamar é comparável ao observado em abril de 2025, quando o mercado reagia a tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos.
Além disso, outros ativos também registraram saídas. A Solana perdeu mais de US$ 12 milhões. Em contrapartida, o XRP destoou da tendência ao atrair cerca de US$ 16 milhões em novos investimentos.

Pressão macroeconômica pesa sobre o mercado
Três fatores principais ajudam a explicar o movimento recente. Em primeiro lugar, o aumento das preocupações com a inflação global. Em segundo lugar, a revisão das expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. Por fim, a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, incluindo conflitos envolvendo o Irã.
Entre esses elementos, a trajetória dos juros ganhou destaque. O mercado, que anteriormente precificava cortes, passou a considerar a possibilidade de manutenção ou até novas altas, especialmente antes das próximas decisões do Federal Open Market Committee (FOMC).
Historicamente, juros mais altos reduzem o apetite por risco. Dessa forma, investidores tendem a migrar para ativos mais conservadores. Como consequência, o Bitcoin e outras criptomoedas enfrentam pressão vendedora.
Além disso, o aumento no custo do dinheiro reduz a atratividade de ativos mais voláteis. Assim, movimentos de saída em fundos tendem a se intensificar em períodos de incerteza econômica.
Reversão sinaliza mudança de postura
A retirada de US$ 414 milhões encerrou uma sequência de cinco semanas consecutivas de entradas. Portanto, o fluxo recente sugere uma mudança clara no posicionamento dos investidores institucionais.
Os dados indicam que a reversão não foi motivada por eventos específicos do setor cripto. Pelo contrário, fatores macroeconômicos parecem ter exercido maior influência. Nesse sentido, o comportamento reforça uma postura mais defensiva no mercado.
Em suma, Bitcoin e Ether lideraram as saídas, enquanto o XRP seguiu na direção oposta. Ao mesmo tempo, inflação, política monetária dos EUA e tensões geopolíticas continuam a ditar o ritmo dos investimentos em ativos digitais.