Google alerta que ataque quântico pode colocar Ethereum em risco
Relatório do Google acende alerta no setor cripto: Ethereum enfrenta riscos com avanço da computação quântica
O Google Research publicou estimativas atualizadas alertando que os futuros computadores quânticos poderão quebrar as criptomoedas mais cedo do que se pensava anteriormente, embora tal evento ainda esteja a vários anos de distância.
Em uma postagem de blog na terça-feira , o Google explicou que a maioria das tecnologias blockchain e criptomoedas dependem do problema do logaritmo discreto da curva elíptica de 256 bits (ECDLP-256) para proteger carteiras e transações.
Citando o relatório mais recente do Google Research, a postagem no blog afirmou que os recursos de computação quântica necessários para quebrar o ECDLP-256 diminuíram significativamente.
O whitepaper divulgado pela Google, por meio da divisão Google Quantum AI, trouxe preocupações relevantes para o mercado de criptomoedas. O documento, com 57 páginas, analisa como avanços na computação quântica podem afetar diretamente a segurança da rede Ethereum.
Além disso, o relatório foi desenvolvido em conjunto com Justin Drake e Dan Boneh, reforçando o peso técnico da análise. Segundo o estudo, a exposição potencial ultrapassa US$ 100 bilhões, considerando diferentes camadas do ecossistema.
Embora parte do mercado tenha focado nos riscos ao Bitcoin, a análise sobre o Ethereum necessita de atenção. Visto que especialistas indicam que os impactos podem ser igualmente relevantes, especialmente devido à complexidade da rede.
Portanto, o relatório destaca cinco caminhos principais de ataque, cada um direcionado a uma estrutura crítica do protocolo. Consequentemente, o risco não se limita a um único vetor, mas se distribui por todo o ecossistema.
Carteiras expostas e contratos sob risco estrutural
O primeiro ponto crítico envolve a exposição das carteiras. Diferentemente do Bitcoin, onde a chave pública pode permanecer oculta até uma transação, no Ethereum ela se torna visível após o primeiro uso. Assim, não há possibilidade de rotação sem abandono da conta.
De acordo com o estudo, as mil maiores carteiras concentram cerca de 20,5 milhões de ETH já expostos. Nesse cenário, um computador quântico capaz de quebrar uma chave a cada nove minutos poderia comprometer todas essas contas em menos de nove dias.
Além disso, os contratos inteligentes representam outro ponto sensível. Esses sistemas, responsáveis por operações como empréstimos e emissão de stablecoins, frequentemente dependem de chaves administrativas. Portanto, essas chaves funcionam como pontos centrais de controle.
O relatório identificou ao menos 70 contratos relevantes com esse tipo de exposição, somando cerca de 2,5 milhões de ETH. No entanto, o risco vai além desse valor direto. Isso ocorre porque essas chaves também controlam ativos como USDT e USDC.
Consequentemente, um invasor poderia emitir tokens ilimitados, gerando um efeito cascata em protocolos de empréstimo e mercados que utilizam esses ativos como garantia.
Layer 2, staking e validação ampliam superfície de ataque
Outro vetor relevante envolve as soluções de escalabilidade conhecidas como Layer 2. Redes como Arbitrum e Optimism processam grande parte das transações fora da cadeia principal.
Entretanto, essas redes utilizam criptografia baseada em curvas elípticas, que não é resistente à computação quântica. Assim, estima-se que pelo menos 15 milhões de ETH estejam expostos nessas estruturas. Por outro lado, a StarkNet surge como exceção, ao adotar um modelo baseado em funções hash.
Além disso, o sistema de staking também apresenta vulnerabilidades. Atualmente, cerca de 37 milhões de ETH estão bloqueados para validação da rede. Nesse contexto, se um atacante comprometer um terço dos validadores, a rede perde a capacidade de finalizar transações.
Mais ainda, o controle de dois terços permitiria reescrever o histórico da blockchain. Portanto, a concentração em grandes pools, como a Lido, pode reduzir o esforço necessário para um ataque coordenado.
Falha potencial na verificação de dados preocupa especialistas
O vetor mais crítico envolve o sistema de verificação de dados do Ethereum, conhecido como Data Availability Sampling. Esse mecanismo depende de uma configuração inicial que gerou um segredo que deveria ter sido destruído.
No entanto, segundo o estudo, um computador quântico poderia recuperar esse segredo a partir de dados públicos. Dessa forma, o invasor ganharia uma ferramenta permanente para falsificar provas de dados.
Além disso, essa vulnerabilidade afetaria diretamente todas as redes Layer 2 que utilizam o sistema de dados do Ethereum. Consequentemente, o impacto poderia se espalhar rapidamente por todo o ecossistema.
Por esse motivo, o relatório classifica esse vetor como potencialmente reutilizável, ampliando ainda mais o risco sistêmico.
Ethereum avança, mas desafio é coletivo
Embora o Ethereum já esteja se preparando para a era pós-quântica, os desafios permanecem significativos. A Ethereum Foundation trabalha em soluções com horizonte até 2029, incluindo atualizações estruturais.
No entanto, essas melhorias não resolvem automaticamente os riscos existentes. Isso ocorre porque milhares de contratos inteligentes e protocolos operam de forma independente. Portanto, cada projeto precisará atualizar seu próprio código e rotacionar suas chaves.
Assim, o relatório deixa claro que a segurança futura do Ethereum não depende apenas da camada base. Pelo contrário, exige coordenação de todo o ecossistema. Em um cenário de avanço da computação quântica, a resposta coletiva será determinante para a resiliência da rede.