XRP avança com regra do OCC e plano de banco

A Ripple avançou em sua estratégia regulatória nos Estados Unidos após a entrada em vigor, em 1º de abril, de uma nova diretriz do Office of the Comptroller of the Currency (OCC). A norma, detalhada no bulletin, redefine o escopo de atuação de bancos fiduciários nacionais.

Com isso, o movimento abre espaço para que o projeto do Ripple National Trust Bank avance rumo à operação plena, ainda que dependa do cumprimento de exigências regulatórias. Ao mesmo tempo, o contexto reforça a inserção do XRP no sistema financeiro tradicional, sobretudo sob uma estrutura mais clara de supervisão.

Regra do OCC impacta percepção do mercado

No mesmo dia da implementação da regra, o XRP era negociado a US$ 1,3364. Além disso, indicadores técnicos passaram a sugerir possível reversão de tendência após duas semanas de fraqueza. Embora não haja relação causal direta comprovada, o mercado interpretou a mudança regulatória como um fator positivo para o ativo.

A aprovação condicional do Ripple National Trust Bank, anunciada em dezembro de 2025, ainda exige etapas importantes. Entre elas estão controles de risco, políticas de combate à lavagem de dinheiro, identificação de clientes e adequação de capital. No entanto, a nova diretriz do OCC tende a tornar esse processo mais previsível.

Além disso, o órgão também autorizou iniciativas semelhantes envolvendo empresas como BitGo, Fidelity e Paxos. Dessa forma, o conjunto de decisões indica um movimento mais amplo de integração entre empresas de ativos digitais e o sistema bancário federal dos Estados Unidos.

Custódia ganha espaço no ambiente regulado

A principal mudança do Bulletin 2026-4 está na atualização da terminologia regulatória. O OCC passou a adotar a expressão “operações de uma empresa fiduciária e atividades relacionadas”, substituindo a noção mais restrita de “atividades fiduciárias”.

Na prática, isso amplia o leque de serviços permitidos. Antes, essas instituições estavam limitadas à gestão direta de ativos. Agora, podem oferecer custódia sem necessariamente exercer gestão ativa, o que inclui a guarda de ativos digitais sob supervisão federal.

Esse ponto é considerado essencial para a entrada de investidores institucionais. Afinal, a custódia regulamentada reduz incertezas operacionais e jurídicas, ao mesmo tempo em que aproxima o setor cripto das exigências do sistema financeiro tradicional.

Ripple busca integração mais ampla nos EUA

O avanço ocorre em meio a uma evolução no debate regulatório sobre o XRP nos Estados Unidos. Embora ainda existam nuances na classificação do ativo, o ambiente recente indica maior clareza sobre seu enquadramento, o que tende a favorecer iniciativas institucionais.

Nesse sentido, a Ripple busca integrar produtos baseados em XRP e sua stablecoin RLUSD à infraestrutura bancária. A estratégia depende tanto da consolidação regulatória quanto da aprovação de novos acessos operacionais.

Conta no Fed e resistência de bancos tradicionais

Entre os próximos passos, está o pedido da Ripple por uma conta master junto ao Federal Reserve. Caso aprovado, o acesso direto aos trilhos de pagamento do banco central dos EUA pode elevar significativamente o nível de integração da empresa ao sistema financeiro.

Por outro lado, o avanço das empresas de criptomoedas enfrenta resistência. Instituições representadas pelo Bank Policy Institute avaliam possíveis medidas legais contra o OCC. Entre os membros estão grandes bancos como JPMorgan e Goldman Sachs, que veem a mudança como uma ameaça competitiva.

Em conclusão, embora a nova regra já esteja em vigor, o avanço da Ripple e do XRP ainda depende da execução completa das exigências regulatórias. Ainda assim, o cenário atual sugere uma transformação gradual na relação entre o mercado de criptomoedas e o sistema bancário dos Estados Unidos.