EDX busca licença de trust bank nos EUA com OCC
A EDX Markets, corretora de criptomoedas apoiada pela Citadel Securities, protocolou um pedido de licença nacional de trust bank junto ao Office of the Comptroller of the Currency (OCC). Com isso, a empresa busca ampliar sua atuação e, ao mesmo tempo, aproximar o mercado de ativos digitais do sistema bancário dos Estados Unidos.
Conforme registros públicos divulgados em 1º de abril, a autorização permitiria à EDX oferecer serviços como custódia, gestão de ativos e, potencialmente, negociação proprietária. Além disso, a companhia manteria sua atual plataforma de correspondência de ordens, preservando sua estrutura operacional.
Segundo a empresa, a licença permitiria concentrar funções essenciais, como custódia e liquidação, dentro de uma estrutura regulada. Nesse sentido, o movimento sinaliza um esforço para alinhar práticas do setor de criptomoedas aos padrões do sistema financeiro tradicional, o que tende a aumentar previsibilidade e confiança.
Estratégia foca separação de funções
A EDX argumenta que a concentração de corretagem, negociação e custódia em uma única entidade pode gerar conflitos de interesse. Além disso, esse modelo pode elevar riscos operacionais. Por isso, a empresa defende a separação dessas funções por meio de um trust bank supervisionado.
Esse formato segue a lógica dos mercados financeiros tradicionais. Neles, diferentes instituições desempenham papéis específicos. Assim, corretoras, bolsas, custodiantes e formadores de mercado operam de forma independente, o que contribui para maior transparência.
Ao mesmo tempo, essa estrutura pode reforçar a proteção dos ativos dos clientes. Dessa maneira, investidores institucionais tendem a encontrar um ambiente mais alinhado às exigências regulatórias.
Demanda institucional sustenta avanço
O CEO da EDX, Tony Acuña-Rohter, afirmou em entrevista à Bloomberg que grandes bancos devem desempenhar papel central na próxima fase de adoção dos ativos digitais. Segundo ele, a licença ajudaria a atender clientes institucionais que exigem infraestrutura regulada.
Além disso, Acuña-Rohter destacou que custódia e liquidação são elementos críticos para esse público. Portanto, operar sob supervisão federal pode se tornar um diferencial competitivo relevante.
O movimento ocorre em meio a mudanças no ambiente regulatório dos Estados Unidos. Atualmente, o cenário indica maior abertura à participação de empresas de criptomoedas no sistema bancário, o que favorece iniciativas em busca de supervisão federal.
Cenário regulatório abre espaço para integração
Nos últimos meses, outras empresas também avançaram nesse processo. Em dezembro, reguladores concederam aprovações condicionais de trust bank a empresas como Circle Internet Group e Ripple, sinalizando uma possível tendência de maior integração ao arcabouço financeiro tradicional.
Fundada em 2022, a EDX Markets foi criada com foco em investidores institucionais. Além da Citadel Securities, a empresa conta com apoio de Virtu Financial, Fidelity Digital Assets e Hudson River Trading.
Desde o início, a plataforma foi projetada para refletir o funcionamento dos mercados tradicionais. Assim sendo, a separação entre negociação, custódia e liquidação permanece como elemento central da estratégia, com o objetivo de reduzir riscos e ampliar a confiança dos participantes.
Impactos potenciais da licença
Caso o pedido seja aprovado, a EDX poderá expandir suas operações sob supervisão federal. Bancos trust nacionais podem custodiar ativos de clientes, oferecer serviços fiduciários e gerenciar carteiras, o que abre novas frentes de atuação.
Além disso, a iniciativa reforça a tendência de convergência entre o mercado cripto e o sistema financeiro tradicional. Em outras palavras, o setor caminha para estruturas mais reguladas e institucionalizadas.
Por fim, ao defender a separação de funções críticas e a adoção de um modelo regulado, a EDX reforça sua estratégia de longo prazo. A aposta é que custódia segura e liquidação eficiente serão pilares do crescimento sustentável do mercado de ativos digitais.