Hong Kong adia licenças de stablecoin para bancos

Hong Kong decidiu adiar a emissão das primeiras licenças para stablecoin, movimento que amplia a incerteza no setor financeiro local. A medida afeta diretamente grandes bancos e instituições que aguardavam autorização para operar no novo mercado regulado.

Além disso, o atraso ocorre em meio a preocupações crescentes com lavagem de dinheiro e à possibilidade de exigências mais rigorosas de verificação de identidade por parte dos reguladores.

Atraso regulatório amplia incertezas no mercado

Conforme publicação do perfil Wu Blockchain, baseada em reportagem da Caixin, autoridades locais optaram por postergar a liberação das primeiras licenças. Como resultado, empresas interessadas terão que aguardar mais tempo para ingressar no ambiente regulado.

O marco regulatório foi aprovado em agosto de 2025 e estabeleceu que qualquer entidade emissora de stablecoin deve obter autorização da Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA). Desde então, instituições como HSBC e Standard Chartered, por meio de uma joint venture, já protocolaram pedidos formais.

A expectativa inicial indicava possíveis aprovações até o fim de março. No entanto, com a chegada de abril, nenhuma licença foi concedida. Assim, ao menos 36 candidatos permanecem em análise, o que reforça a cautela do regulador.

Segundo a apuração, o principal entrave envolve preocupações com lavagem de dinheiro. Nesse sentido, autoridades avaliam endurecer as regras de KYC, o que pode tornar o processo de verificação mais rigoroso e complexo para operadores e usuários.

Pressões regulatórias e influência da China

O cenário se torna ainda mais sensível diante da postura da China continental. Reguladores chineses já demonstraram críticas a stablecoins atreladas a moedas fiduciárias, argumentando que esses ativos podem representar riscos regulatórios e facilitar atividades ilícitas.

Ainda assim, Hong Kong vinha adotando uma abordagem mais aberta, com o objetivo de se consolidar como polo global de inovação em ativos digitais. Apesar disso, autoridades já sinalizavam cautela desde fevereiro, indicando que apenas um número limitado de licenças seria liberado inicialmente.

Agora, com o adiamento, permanece indefinido quando a HKMA retomará o processo. Enquanto isso, empresas seguem impedidas de iniciar operações no segmento regulado.

Mercado global avança apesar de entraves

Enquanto Hong Kong enfrenta esse impasse, outros países asiáticos seguem trajetórias distintas. Na Coreia do Sul, por exemplo, o debate regulatório permanece dividido entre maior participação bancária e modelos mais flexíveis.

Por outro lado, o Japão avançou mais rapidamente. O país já lançou uma stablecoin atrelada ao iene e deve ampliar a oferta em 2026, com novos projetos apoiados por bancos previstos para o segundo trimestre.

Nos Estados Unidos, o setor também ganhou tração. O avanço ocorre em meio a discussões legislativas que buscam estabelecer regras mais claras para stablecoins, embora o arcabouço definitivo ainda esteja em evolução.

Capitalização cresce mesmo com incertezas

Apesar das divergências regulatórias, o mercado global segue resiliente. Dados da DefiLlama indicam que a capitalização total das stablecoins gira em torno de US$ 316 bilhões, próxima de máximas históricas.

Stablecoin Market Cap

Tendência da capitalização de mercado das stablecoins nos últimos anos | Fonte: DefiLlama

No mesmo período, o Bitcoin foi negociado próximo de US$ 68.700, apresentando leve recuperação após queda semanal superior a 4%.

Em suma, o adiamento das licenças em Hong Kong ocorre em um momento estratégico para o setor. Embora grandes instituições aguardem aprovação, as preocupações com compliance seguem determinantes. Assim, o avanço das stablecoins na região permanece condicionado à evolução regulatória.