Bitcoin em Taiwan: BPI sugere reserva estratégica

O governo de Taiwan mantém cerca de 210 Bitcoins apreendidos de atividades criminosas, avaliados em aproximadamente US$ 14 milhões. Embora o volume seja limitado, uma análise do Bitcoin Policy Institute (BPI) sugere que esses ativos podem sinalizar um debate mais amplo sobre estratégia econômica e geopolítica.

Segundo o estudo, a adoção gradual do Bitcoin como parte das reservas pode fortalecer a resiliência financeira do país, sobretudo em um contexto de tensões regionais envolvendo a China.

Reserva em Bitcoin como proteção estratégica

O pesquisador Jacob Langenkamp, do BPI, defende que Taiwan considere estruturar uma reserva nacional em Bitcoin. Para ele, a proposta não se limita ao potencial de retorno, mas envolve proteção em cenários extremos.

Em um eventual bloqueio ou conflito, ativos tradicionais poderiam enfrentar restrições de acesso. Reservas em ouro, por exemplo, dependem de logística física, enquanto ativos em dólar podem ficar sujeitos a decisões externas.

Por outro lado, o Bitcoin opera de forma descentralizada e não exige transporte físico, o que, em tese, amplia sua acessibilidade mesmo em situações adversas.

Ainda assim, o banco central de Taiwan já avaliou essa possibilidade e optou por não avançar. Entre os fatores citados estão a volatilidade do ativo, desafios de custódia e limitações de liquidez.

Fonte: Bitcoin Policy Institute

Langenkamp reconhece essas limitações. No entanto, avalia que estruturas institucionais mais robustas, especialmente em custódia e gestão de risco, podem mitigar parte desses obstáculos. Assim, o debate passa a incluir não apenas estabilidade, mas também resiliência em cenários críticos.

Diversificação além do retorno financeiro

O relatório destaca que o Bitcoin pode atuar como complemento às reservas tradicionais. Dessa forma, o ativo ampliaria a diversificação, especialmente em momentos de instabilidade.

Além disso, o estudo sugere que uma adoção antecipada poderia oferecer vantagem estratégica, caso outros países avancem em direção semelhante.

Exposição ao dólar entra no debate

Outro ponto relevante envolve a forte dependência de Taiwan do dólar americano. Estimativas indicam que cerca de 80% das reservas do banco central estão denominadas na moeda dos Estados Unidos.

Como resultado, oscilações no dólar podem impactar diretamente a economia local. O relatório aponta fatores que podem pressionar a moeda ao longo do tempo, como aumento da dívida pública dos EUA e políticas monetárias expansionistas.

Fonte: Bitcoin Policy Institute

Nesse contexto, o Bitcoin surge como alternativa complementar ao ouro, e não como substituto direto. Assim, a proposta reforça a ideia de diversificação estratégica das reservas.

Reservas atuais e posicionamento global

O número de 210 BTC foi citado pelo legislador Ko Ju-Chun em redes sociais no ano anterior. Dados da plataforma BitBo indicam que, caso esses ativos fossem formalmente considerados reservas, Taiwan poderia figurar entre os países com maior volume de Bitcoin.

No entanto, o país ainda não aparece oficialmente nesse ranking. Enquanto isso, autoridades monetárias seguem explorando o tema por meio de iniciativas experimentais com ativos digitais já detidos.

BTC/USD sendo negociado a US$ 66.310. Gráfico: TradingView

Não há indicação de que o governo adotará as recomendações do BPI no curto prazo. Ainda assim, o debate reflete uma tendência mais ampla, na qual países avaliam o papel do Bitcoin como instrumento adicional de proteção econômica e geopolítica.