WLFI enfrenta críticas éticas e pressão nos EUA

A criptomoeda WLFI, ligada ao projeto World Liberty Financial, passou a enfrentar críticas no campo ético e político após a divulgação de um relatório elaborado por democratas da Câmara dos Estados Unidos. O documento indica que cerca de 75% das receitas líquidas do projeto seriam direcionadas à DT Marks DEFI LLC, empresa associada à família de Donald Trump.

O relatório, publicado em 24 de novembro, coloca a WLFI no centro de um possível conflito de interesses. Nesse sentido, o deputado Jamie Raskin afirmou que Trump teria transformado sua posição política em uma operação global com interesses privados no setor de criptomoedas. A declaração intensificou o debate entre reguladores, investidores e analistas.

Estrutura financeira levanta questionamentos

Distribuição de receitas e exposição a riscos

O principal ponto de atenção envolve o modelo financeiro do projeto. Conforme descrito no chamado “Gold Paper”, a DT Marks DEFI LLC concentra a maior parte das receitas. No entanto, não há indicação clara de responsabilidade operacional direta da família Trump sobre o protocolo.

Essa estrutura sugere um desequilíbrio entre retorno financeiro e exposição a riscos. Enquanto os ganhos seriam concentrados, as responsabilidades técnicas e legais permanecem difusas. Além disso, a organização Citizens for Responsibility and Ethics in Washington classificou o modelo como incomum na relação entre agentes políticos e negócios ativos.

Estimativas citadas no relatório indicam que entidades ligadas à família Trump teriam recebido cerca de US$ 890 milhões em receitas relacionadas ao projeto. Ademais, manteriam tokens avaliados em aproximadamente US$ 3,8 bilhões. Ainda assim, não há confirmação pública detalhada sobre aportes iniciais de capital próprio, o que reforça questionamentos.

WLFI TVL

WLFI Total Value Locked / Fonte: Tokenterminal

Outro fator relevante envolve investidores estrangeiros. Por exemplo, Justin Sun, que já enfrentou acusações da SEC relacionadas a fraude e manipulação de mercado, investiu US$ 75 milhões em tokens WLFI. Posteriormente, seu processo foi encerrado, embora não haja confirmação de relação direta entre os eventos.

Da mesma forma, a Aqua 1 Foundation, sediada nos Emirados Árabes Unidos, teria transferido US$ 100 milhões em stablecoins para o projeto, sem ampla transparência pública sobre a origem dos recursos. Além disso, transações envolvendo a stablecoin USD1 foram associadas a possíveis acordos internacionais, o que ampliou as dúvidas sobre influência política no ecossistema.

Impactos políticos e regulatórios

Relação entre decisões públicas e interesses privados

Desde janeiro de 2025, o governo Trump tem sinalizado apoio ao setor de criptomoedas. Entre as iniciativas, destaca-se o suporte ao GENIUS Act, proposta que estabelece diretrizes para stablecoins. Nesse contexto, analistas avaliam que a medida pode favorecer ativos como a USD1, vinculada ao ecossistema WLFI.

Ao mesmo tempo, o avanço do marco regulatório FIT21 redefine atribuições entre a SEC e a CFTC, o que tende a flexibilizar o ambiente para plataformas DeFi. Ainda assim, críticos argumentam que essas mudanças também podem ampliar a viabilidade comercial da WLFI, levantando preocupações sobre conflito de interesses.

Além disso, decisões regulatórias recentes, incluindo o encerramento de casos envolvendo participantes do setor, aumentaram a percepção de alinhamento político. Para parte do mercado, esse contexto sugere incentivos indiretos para medidas favoráveis.

A Casa Branca afirma que os ativos de Trump estão sob gestão de um trust administrado por seus filhos. Contudo, especialistas apontam que essa estrutura pode não garantir separação efetiva, já que os mesmos familiares mantêm envolvimento com o projeto.

Em janeiro de 2026, a WLFI avançou ao solicitar uma licença bancária nacional ao Office of the Comptroller of the Currency (OCC), por meio da World Liberty Trust Company. O pedido indica uma tentativa de integração ao sistema financeiro regulado dos Estados Unidos, com Zach Witkoff listado como presidente da entidade.

Por outro lado, o avanço institucional ocorre em paralelo ao aumento do escrutínio político. O relatório menciona possíveis práticas como obstrução de justiça, influência estrangeira e uso indevido de cargo público, embora tais alegações ainda dependam de apuração mais aprofundada.

No mercado, o desempenho do token também reflete incertezas. A WLFI acumula queda próxima de 50% em relação ao seu pico, enquanto ativos associados ao mesmo ecossistema registram perdas ainda mais expressivas.

Em suma, o caso da WLFI reúne fatores sensíveis, como concentração de receitas, exposição política e participação internacional. Esse conjunto mantém o projeto no centro do debate sobre os limites entre inovação financeira e potenciais conflitos de interesse no mercado de criptomoedas.