USDC: atrasos em bloqueios pressionam Circle
A USDC, stablecoin emitida pela Circle, passou a enfrentar críticas sobre sua atuação em casos de fraude. O pesquisador on-chain ZachXBT estima que mais de US$ 420 milhões em perdas públicas tenham ocorrido desde 2022, em episódios associados a atrasos ou ausência de bloqueios de fundos ilícitos.
Em diferentes redes, houve solicitações de congelamento feitas por autoridades e entidades privadas. Ainda assim, parte desses pedidos teria sido atendida com demora ou não processada a tempo. Como resultado, valores desviados continuaram a circular por horas ou mais, dificultando a recuperação.
Tempo de resposta vira ponto de atenção
A USDC é apresentada como uma stablecoin centralizada e regulada, com lastro 1:1 em dólar americano. Além disso, seus contratos permitem à Circle congelar ativos e restringir endereços. Seus termos de uso também preveem ações contra गतिविधades suspeitas.
No entanto, análises recentes indicam possíveis falhas no tempo de resposta. Em vários casos, ativos permaneceram sob controle de invasores por períodos relevantes. Assim, esse intervalo teria permitido transferências entre carteiras e redes, reduzindo as chances de rastreamento e recuperação.
Esse cenário contrasta com a expectativa do mercado. Afinal, uma stablecoin amplamente utilizada em DeFi depende de respostas rápidas para mitigar riscos operacionais e reputacionais.
Incidentes recentes ampliam o debate
Um dos episódios mais citados ocorreu em 1º de abril de 2026, quando o Drift Protocol sofreu perdas estimadas em US$ 280 milhões. Nesse caso, cerca de US$ 232 milhões em USDC foram movidos da rede Solana para Ethereum via CCTP. Mesmo com a movimentação prolongada, não houve bloqueio imediato, segundo análises do pesquisador.
Em janeiro de 2026, a plataforma SwapNet perdeu cerca de US$ 16 milhões. Apesar de solicitações formais, os valores permaneceram desbloqueados por um período relevante.
Outros casos frequentemente mencionados incluem incidentes envolvendo Cetus Protocol, Mango Markets e Nomad Bridge, com perdas expressivas. Em parte dessas ocorrências, análises de mercado sugerem que houve atraso ou limitação na capacidade de resposta em relação a fundos em USDC.
Casos menores reforçam o padrão. Em dezembro de 2023, um ataque à cadeia de suprimentos da Ledger deixou cerca de US$ 600 mil em USDC expostos por mais de três horas. Da mesma forma, em outubro de 2024, a Radiant Capital registrou perdas de US$ 58 milhões, com ativos permanecendo ativos por um período prolongado.
Por outro lado, comparações com concorrentes surgem nesse contexto. Parte do mercado avalia que emissores como Tether e Paxos responderam mais rapidamente em incidentes semelhantes, o que aumenta a pressão sobre a Circle.
Riscos regulatórios e impacto no ecossistema
Além do aspecto operacional, o tema levanta preocupações regulatórias. A Circle dispõe de ferramentas técnicas e respaldo legal para agir. Ainda assim, episódios recorrentes alimentam dúvidas sobre a eficiência dessas medidas em larga escala.
Segundo ZachXBT, alguns endereços envolvidos em ataques apresentam possíveis ligações com redes associadas à Coreia do Norte. Nesse sentido, o problema extrapola o âmbito financeiro e pode tocar questões de segurança internacional.
Ao mesmo tempo, a ampla presença da USDC em protocolos DeFi e em pontes entre blockchains amplia o impacto potencial. Quanto maior a integração do ativo, maior a necessidade de respostas rápidas diante de atividades ilícitas.
Como resultado, a capacidade de reação torna-se decisiva. Em muitos casos, atrasos de poucas horas já inviabilizam qualquer tentativa de recuperação dos valores.
Em suma, os episódios associados a mais de US$ 420 milhões reforçam a pressão sobre a Circle. O contexto sugere a necessidade de aprimorar processos de monitoramento e acelerar bloqueios, sob risco de impacto na confiança do mercado.