Bitcoin tem pior 1º trimestre em 8 anos

O Bitcoin encerrou o primeiro trimestre de 2026 com queda de 22,2%, marcando seu pior desempenho para o período em oito anos. O resultado contraria padrões sazonais observados historicamente, que costumam indicar maior equilíbrio ou até valorização no início do ano.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a monitorar possíveis desdobramentos para o segundo trimestre. Embora o preço apresente estabilidade recente, o cenário atual indica menor atividade e oscilações limitadas, o que reforça um ambiente de cautela entre investidores.

Histórico mostra forte volatilidade no início do ano

Ao longo dos anos, o desempenho do Bitcoin no primeiro trimestre foi marcado por forte volatilidade. Em alguns ciclos, os ganhos foram expressivos. Em 2023, por exemplo, a alta foi de 71,77%, enquanto em 2021 chegou a 103,17%. Já em 2013, o ativo registrou valorização de 539,96%.

Por outro lado, quedas relevantes também ocorreram. Em 2018, o recuo foi de 49,7%, enquanto em 2014 a desvalorização atingiu 37,42%. Ainda assim, a mediana histórica do período é de -2,26%, o que sugere que o resultado de 2026 ficou significativamente abaixo do padrão típico.

Além disso, os dados indicam um comportamento distinto ao longo do ano. Em contraste com o início mais instável, o quarto trimestre costuma apresentar desempenho positivo. Historicamente, o retorno médio nesse período é de 77,07%, com mediana de 47,73%, o que sustenta expectativas de recuperação em fases mais avançadas do ciclo.

Desempenho histórico do Bitcoin por trimestre

Fonte: X

Quebra de padrão levanta dúvidas

Esse desempenho negativo levanta questionamentos sobre possíveis mudanças estruturais no mercado. A quebra de padrões sazonais pode indicar a influência de fatores como condições macroeconômicas, política monetária global e menor apetite ao risco.

Além disso, investidores institucionais demonstram maior cautela. Como resultado, a liquidez diminui e os movimentos de preço se tornam menos intensos. Ainda assim, o histórico sugere que períodos de fraqueza podem anteceder fases de recuperação.

Preço estável e queda no volume

Apesar da queda no trimestre, o Bitcoin mostra estabilidade no curto prazo. Nas últimas 24 horas, o ativo foi negociado próximo de US$ 66.966,90, com leve variação negativa de 0,08%. Dessa forma, o mercado segue lateralizado.

Entretanto, o volume de negociações caiu de forma relevante. O total movimentado em 24 horas soma cerca de US$ 18,29 bilhões, após recuo de 45,99%. Ao mesmo tempo, a capitalização de mercado permanece próxima de US$ 1,34 trilhão.

Como consequência, a relação entre volume e valor de mercado recuou para 1,36%. Esse nível indica menor participação dos investidores quando comparado a períodos de maior atividade.

Liquidez reduzida sinaliza cautela

A queda no volume reflete um ambiente de menor confiança. Em outras palavras, investidores evitam assumir grandes posições enquanto aguardam sinais mais claros de direção. Ainda assim, a estabilidade de preços indica ausência de pressão vendedora intensa no curto prazo.

Além disso, a combinação entre baixa volatilidade e menor liquidez costuma anteceder movimentos mais fortes, o que pode sugerir uma fase de consolidação.

Liquidações pressionam posições vendidas

Dados de derivativos reforçam esse cenário. Segundo a Coinglass, houve predominância de liquidações em posições vendidas. Nas últimas 24 horas, o total liquidado foi de US$ 6,63 milhões.

Desse montante, US$ 3,42 milhões correspondem a posições short, enquanto US$ 3,21 milhões são de posições long. Embora a diferença seja moderada, o padrão se repete em intervalos menores.

Nas últimas quatro horas, por exemplo, foram liquidados US$ 260,96 mil, sendo US$ 228,82 mil em posições vendidas. Já no período de 12 horas, o total chegou a US$ 556,91 mil, com US$ 328,44 mil também provenientes de shorts.

Dados de liquidações do Bitcoin

Fonte: Coinglass

Pressão sobre traders pessimistas

Esse movimento indica maior pressão sobre traders que apostam na queda. Mesmo com o preço estável, liquidações frequentes de posições vendidas sugerem movimentos contrários inesperados.

Assim, o Bitcoin inicia o segundo trimestre em um contexto mais cauteloso. Apesar da queda acumulada de 22,2% no início do ano, o ativo se mantém próximo de US$ 67 mil, com menor volume e sinais mistos no mercado de derivativos. Nesse cenário, investidores seguem atentos a novos catalisadores.