Tether busca captação com avaliação de US$ 500 bi
A Tether negocia uma nova rodada de captação que pode avaliar a empresa em até US$ 500 bilhões. As tratativas ocorrem com um grupo seleto de investidores, conforme indicou o CEO Paolo Ardoino. Ainda assim, o cronograma prevê conclusão nas próximas semanas, embora possa sofrer ajustes conforme a demanda.
Segundo reportagem, a companhia pretende direcionar os recursos para expandir operações ligadas a stablecoins e commodities. Dessa forma, o movimento reforça o posicionamento da empresa no sistema financeiro global.
Caso atinja a avaliação pretendida, a Tether passaria a figurar entre as maiores instituições financeiras do mundo em termos de valor estimado. Atualmente, bancos como JPMorgan Chase e Bank of America apresentam valores de mercado elevados, embora a comparação direta dependa de métricas distintas entre empresas privadas e listadas.
Estratégia de crescimento e captações anteriores
Não é a primeira vez que a empresa explora esse patamar de valuation. Em setembro do ano passado, a Tether avaliou levantar até US$ 20 bilhões, o que também indicava uma avaliação próxima de US$ 500 bilhões.
Conforme a Bloomberg, o modelo incluía a venda de cerca de 3% de participação por meio de colocação privada. Além disso, o banco Cantor Fitzgerald atuaria como assessor principal da operação. Assim, a empresa já sinalizava ambição de ampliar sua presença entre grandes players financeiros.
Destino dos recursos e cenário de mercado
Ardoino afirmou que os recursos devem apoiar a expansão global das operações. Ainda assim, fontes próximas indicam que o valor final pode ficar abaixo do inicialmente projetado, sobretudo diante da cautela de investidores em relação a avaliações elevadas.
Por outro lado, a Tether apresenta resultados robustos. No segundo trimestre, a empresa registrou lucro de US$ 4,9 bilhões, enquanto o acumulado no ano alcançou US$ 5,7 bilhões. Esses números ajudam a sustentar o interesse do mercado.
Stablecoins impulsionam avanço da Tether
O principal ativo da empresa, a stablecoin USDt, possui valor estimado em cerca de US$ 184 bilhões. Assim, o token segue como pilar central do crescimento. Além disso, produtos como Tether Gold (XAUt) e Tether EURt ampliam o portfólio e diversificam a atuação.
Ao mesmo tempo, o avanço global das stablecoins fortalece essa estratégia. Esses ativos vêm sendo utilizados em transações internacionais, reduzindo custos e prazos. Como resultado, ampliam sua relevância tanto no mercado de criptomoedas quanto no sistema financeiro tradicional.
Pressão regulatória e concorrência
Nos Estados Unidos, iniciativas como o projeto GENIUS buscam estabelecer regras mais claras para emissores de stablecoins, ao passo que também procuram preservar a dominância do dólar. Nesse sentido, o ambiente regulatório segue em evolução.
Além disso, concorrentes avançam no setor. A Circle, emissora da USDC, solicitou abertura de capital sob o ticker “CRCL”. Em documento enviado à SEC, a empresa reportou receita de US$ 1,67 bilhão em 2024.
Autoridades também mantêm atenção aos riscos. O diretor do Federal Reserve, Michael Barr, alertou que stablecoins podem ser utilizadas em atividades ilícitas, como lavagem de dinheiro. Ainda assim, cerca de 66% desses ativos estão concentrados em mercados emergentes, segundo análise da Goldman Sachs.
Em conclusão, a nova tentativa de captação indica a ambição da Tether de ampliar sua escala global. Ao mesmo tempo, o resultado da operação deve refletir o equilíbrio entre forte desempenho financeiro e a cautela dos investidores diante de avaliações elevadas.