Irã cobra até US$ 2 mi por navios e testa criptomoedas

O Irã passou a cobrar cerca de US$ 2 milhões por navio que atravessa o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Além disso, parte desses pagamentos estaria sendo realizada em criptomoedas e yuan chinês, o que sinaliza uma possível mudança nas dinâmicas do comércio internacional. Em apenas 24 horas, o modelo pode ter movimentado dezenas de milhões de dólares, segundo estimativas de mercado.

Cobrança no Estreito de Ormuz ganha escala

Segundo o analista Crypto Rover, entre 15 e 18 embarcações cruzaram o estreito no período recente, o que representaria o maior fluxo desde 1º de março. A informação foi compartilhada em publicação na rede social X.

“Entre 15 e 18 petroleiros atravessaram o Estreito de Ormuz recentemente, marcando o maior movimento desde 1º de março”, afirmou.

Crypto Rover no X

Considerando a taxa de US$ 2 milhões por embarcação, a arrecadação potencial alcançaria cerca de US$ 36 milhões em um único dia. Além disso, parte relevante desses valores teria sido liquidada com ativos digitais. Dessa forma, o Estreito de Ormuz passa a ser interpretado não apenas como um ponto geopolítico crítico, mas também como um possível canal para transações financeiras alternativas.

Relatos indicam que o sistema não seria improvisado. Pelo contrário, há indícios de uma estrutura coordenada com respaldo estatal. Nesse sentido, o país aceitaria pagamentos em yuan e stablecoins atreladas a moedas fiduciárias. Em contrapartida, navios receberiam escolta naval, o que reduziria riscos durante a travessia.

Esse modelo foi descrito em reportagem internacional, que aponta para uma tentativa do Irã de operar fora do sistema financeiro tradicional baseado no dólar.

Estratégia financeira fora do dólar

Na prática, o Irã estaria estruturando um mecanismo que opera parcialmente fora do sistema bancário internacional. Dessa maneira, o país pode tentar contornar limitações impostas por sanções econômicas. Além disso, ao utilizar stablecoins, mantém exposição ao dólar sem depender diretamente da moeda americana.

Esse movimento, contudo, levanta questionamentos relevantes. Por um lado, amplia a utilidade das criptomoedas em operações do mundo real. Por outro, pressiona estruturas globais de compliance, especialmente porque transações envolvendo países sancionados exigem monitoramento rigoroso.

Empresas emissoras de stablecoins, como Tether e Circle, tendem a enfrentar maior escrutínio. Isso ocorre porque essas operações, em tese, exigem rastreamento e eventual bloqueio de fundos. Portanto, o avanço desse modelo pode intensificar debates regulatórios no setor.

Uso de criptomoedas como ferramenta estratégica

O uso de stablecoins desempenha papel central nesse contexto, pois reduz a volatilidade típica de ativos como o Bitcoin. Assim, garante maior previsibilidade nas transações internacionais.

Além disso, as transferências ocorrem sem intermediários tradicionais. Ou seja, não dependem diretamente de bancos ou instituições ligadas aos Estados Unidos. Como resultado, o Irã consegue acessar liquidez global com menor exposição ao sistema financeiro convencional.

Esse movimento não surgiu de forma isolada. Em janeiro de 2026, o Centro de Exportações do Ministério da Defesa do Irã teria atualizado seus sistemas para aceitar criptomoedas em contratos militares, incluindo negociações envolvendo drones e outros equipamentos estratégicos.

Impactos no mercado de energia e criptomoedas

Os efeitos dessa dinâmica já começam a aparecer no mercado. Movimentos no Estreito de Ormuz influenciam diretamente o sentimento global de risco, o que pode afetar o comportamento do Bitcoin. Em momentos de menor tensão, o ativo tende a reagir positivamente. Contudo, em cenários de risco geopolítico, há pressão vendedora.

O aumento recente no fluxo de navios foi interpretado por analistas como um sinal de alívio temporário. Ainda assim, o custo elevado de US$ 2 milhões por travessia reforça a urgência das empresas em manter o transporte de petróleo ativo.

Para o mercado de criptomoedas, o cenário é ambíguo. Ao mesmo tempo em que demonstra aplicação prática em escala global, também intensifica a vigilância regulatória, especialmente no uso de stablecoins em operações sensíveis.

Em suma, a passagem de até 18 navios em 24 horas, com arrecadação estimada em US$ 36 milhões, sugere um movimento estruturado. Como resultado, o Irã avança na construção de alternativas financeiras que combinam ativos digitais e moedas fora do eixo tradicional do dólar.