Bitcoin reage ao CPI e mira US$ 75 mil
O Bitcoin permanece consolidado abaixo de US$ 70.000, enquanto o mercado aguarda um catalisador relevante. Nesse sentido, a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, prevista para 10 de abril às 8h30 (horário do leste), tende a orientar o movimento de curto prazo.
Atualmente, o cenário sugere dois caminhos principais. Caso a inflação venha abaixo das expectativas, reforçando a leitura de possível flexibilização monetária pelo Federal Reserve, o ativo pode ganhar impulso em direção a US$ 75.000. Por outro lado, se os dados indicarem pressão inflacionária persistente, especialmente com núcleo acima de 0,3% ao mês, a manutenção de juros elevados pode limitar o avanço.
Faixa de preço sinaliza possível rompimento

(Fonte – TradingView)
O Bitcoin oscila entre US$ 65.000 e US$ 71.000. Historicamente, intervalos estreitos como esse costumam anteceder movimentos mais intensos. Assim, o mercado se aproxima de um ponto decisivo.
Acima dessa faixa, a resistência imediata aparece em US$ 73.700. Em seguida, o nível psicológico de US$ 75.000 volta ao radar. Esse patamar já atuou como barreira anteriormente. Portanto, um rompimento acompanhado de volume consistente pode reforçar a continuidade da tendência de alta.
Indicadores técnicos mostram equilíbrio
Os indicadores apontam equilíbrio entre compradores e vendedores. O RSI diário gira em torno de 53, o que indica neutralidade. Ou seja, não há sinais claros de sobrecompra ou sobrevenda.
Ao mesmo tempo, a média móvel exponencial de 200 dias se aproxima de US$ 67.500, ganhando relevância como suporte imediato. Caso esse nível seja perdido, a próxima zona relevante aparece perto de US$ 62.000, onde há histórico de acumulação.
Além disso, o índice MVRV permanece abaixo de 1,5. Esse dado sugere ausência de euforia, embora também indique que o mercado ainda carece de força para sustentar um rali isoladamente.
Assim sendo, um cenário mais otimista depende do rompimento de US$ 71.000, seguido pela superação de US$ 73.700 e consolidação acima de US$ 75.000. Em contrapartida, um CPI mais forte pode levar o preço de volta à região entre US$ 60.000 e US$ 62.000.
Inflação dos EUA pode direcionar o mercado
A relação entre inflação e Bitcoin ocorre, em grande parte, por meio das expectativas de juros. Em outras palavras, o CPI influencia o comportamento do dólar e dos rendimentos dos títulos do Tesouro, que afetam o apetite por risco.
Em fevereiro, a inflação anual nos Estados Unidos ficou em 2,4%, enquanto o núcleo registrou 2,5%. O resultado, impulsionado principalmente por custos de moradia, manteve uma postura cautelosa do Federal Reserve.
Expectativas para os dados de abril
O foco do mercado está no núcleo mensal. Leituras próximas ou abaixo de 0,2% tendem a favorecer expectativas de cortes de juros. Por outro lado, números acima de 0,3% reforçam a leitura de política monetária restritiva por mais tempo.
Estimativas do Federal Reserve de Cleveland indicam que o CPI cheio pode subir cerca de 0,84% no mês, impulsionado principalmente por combustíveis como gasolina e diesel. Caso confirmado, o dado representaria uma aceleração relevante no índice cheio.
No entanto, há um ponto importante. O Federal Reserve costuma dar maior peso ao núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como energia. Dessa forma, mesmo um CPI cheio elevado pode ter impacto limitado se o núcleo vier controlado.
Além disso, o mercado de trabalho segue resiliente. Em março, os Estados Unidos criaram cerca de 178 mil empregos, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,3%. Esse cenário reduz, ao menos no curto prazo, o risco de recessão.

(Fonte – CoinGlass)
Outro fator relevante envolve os ETFs de Bitcoin à vista, como o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, e o Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC), da Fidelity. Esses produtos tendem a reagir às mudanças nas expectativas macroeconômicas. Assim, um CPI acima do esperado pode reduzir o fluxo de entrada de capital.
Por conseguinte, a divulgação do CPI não deve apenas gerar volatilidade imediata. Também pode influenciar o posicionamento institucional nas próximas semanas.
Em resumo, o mercado observa atentamente a região de US$ 71.000. Enquanto isso, inflação, dólar e fluxos institucionais seguem como os principais vetores para o Bitcoin no curto prazo.