Standard Chartered projeta Bitcoin a US$ 500 mil até 2030

O Bitcoin voltou a ganhar tração após uma projeção do banco Standard Chartered indicar que a criptomoeda pode alcançar US$ 500 mil até 2030. A estimativa foi mencionada em entrevista, ao passo que o ativo registrava leve alta e era negociado próximo de US$ 67.500.

Ainda assim, o contexto da declaração exige cautela. A projeção não foi apresentada em relatório formal do banco, o que reduz seu peso institucional. Mesmo assim, o histórico do Standard Chartered no acompanhamento do mercado cripto mantém a análise relevante.

Projeção do Standard Chartered para o Bitcoin

Escassez, demanda e cenário de longo prazo

A estimativa foi apresentada por Geoff Kendrick, chefe global de pesquisa em ativos digitais do Standard Chartered, durante participação em um podcast. Segundo ele, o Bitcoin pode atingir US$ 500 mil até o fim da década. Além disso, o Ethereum poderia chegar a US$ 40 mil no mesmo período.

De acordo com Kendrick, a tese se apoia na combinação entre escassez estrutural e avanço da demanda institucional. Em outras palavras, o modelo trata o Bitcoin como uma forma de “ouro digital”, já que sua oferta é limitada a 21 milhões de unidades.

Com base nessa lógica, caso o ativo alcance uma capitalização comparável à do ouro, seu preço poderia atingir níveis significativamente mais elevados, potencialmente acima de US$ 1 milhão. Esse cenário, porém, é tratado como extremo e serve mais como referência teórica.

Assim, a faixa de US$ 500 mil aparece como cenário-base dentro dessa visão. Antes disso, o banco também considera marcos intermediários. Entre eles, o Bitcoin poderia se aproximar de US$ 100 mil até 2026, a depender das condições macroeconômicas.

No curto prazo, no entanto, há riscos relevantes. Uma política monetária mais rígida por parte do Federal Reserve pode pressionar ativos de risco. Nesse sentido, o próprio Kendrick reconhece a possibilidade de correções antes de movimentos mais amplos de valorização.

Vale lembrar que o Standard Chartered já revisou projeções anteriores ao longo dos ciclos de mercado. Isso reforça que tais estimativas tendem a evoluir conforme mudanças no ambiente econômico e na adoção institucional.

Reação do mercado e cenários para o preço

Volume, resistência e variáveis macroeconômicas

Apesar da repercussão da previsão, o mercado reagiu com moderação. O volume de negociações do Bitcoin subiu cerca de 16,75% em 24 horas, alcançando aproximadamente US$ 18,68 bilhões. Enquanto isso, a capitalização permaneceu próxima de US$ 1,35 trilhão.

Fonte: TradingView

Esse movimento sugere uma leitura cautelosa. Embora o volume tenha crescido, a valorização foi limitada, indicando que o mercado interpretou a projeção mais como reforço de narrativa do que como gatilho imediato.

Atualmente, analistas consideram três cenários principais. No cenário otimista, o Bitcoin pode romper a resistência próxima de US$ 70 mil, especialmente se houver entradas consistentes em ETFs e enfraquecimento do dólar.

No cenário base, o ativo tende a oscilar entre US$ 65 mil e US$ 72 mil. Nesse caso, a direção dependerá sobretudo das decisões de juros do Federal Reserve e do fluxo institucional.

Por outro lado, um cenário negativo não está descartado. Caso haja aperto inesperado nas condições macroeconômicas, o preço pode recuar para a faixa de US$ 50 mil antes de uma eventual recuperação.

Além disso, publicações recentes de Michael Saylor voltaram a sugerir novas movimentações da Strategy, reforçando a narrativa de acumulação institucional, ainda que sem confirmação detalhada de novos aportes.

Em suma, o Bitcoin segue sustentado por uma tese estrutural de escassez e adoção crescente. Ao mesmo tempo, fatores macroeconômicos continuam determinantes para os movimentos de curto prazo, o que mantém o mercado em equilíbrio entre otimismo e cautela.