LIBRA: ligações ampliam pressão sobre Milei
Novos documentos apresentados à Justiça intensificaram o escrutínio sobre o presidente da Argentina, Javier Milei, em relação ao lançamento da $LIBRA. As informações levantam dúvidas adicionais sobre o nível de envolvimento do líder, que anteriormente negou participação direta no projeto.
Registros analisados por investigadores indicam comunicações não divulgadas entre Milei e indivíduos ligados ao desenvolvimento do ativo. Entre os dados, aparecem registros telefônicos que mostram chamadas realizadas na mesma noite em que o presidente promoveu o token nas redes sociais.
Registros apontam contatos com envolvidos no projeto
Segundo promotores federais, conforme WSJ, Milei realizou sete ligações com um dos empreendedores ligados à $LIBRA no mesmo dia em que publicou sobre o ativo na plataforma X, em 2025. As chamadas ocorreram antes e depois da postagem, embora o conteúdo das conversas não tenha sido divulgado.
Além disso, os registros sugerem um nível de interação mais intenso do que o previamente admitido. Autoridades também identificaram dezenas de ligações e mensagens trocadas entre Milei e o empresário Mauricio Novelli, apontado como possível intermediário entre os responsáveis pelo projeto e o governo.
Outro elemento sob análise envolve mensagens que indicariam pagamentos regulares a Milei durante o período em que atuava como deputado. Essas informações ainda são investigadas e, por ora, ampliam o escopo do caso sem comprovação conclusiva.
Interações reforçam suspeitas iniciais
Inicialmente, Milei negou qualquer vínculo direto com o projeto. No entanto, à medida que novos dados surgem, cresce a percepção entre investigadores de que sua participação pode ter sido mais ampla do que o declarado publicamente.
Por outro lado, até o momento, não há confirmação de ilegalidade nas comunicações. Ainda assim, o volume e a frequência dos contatos levantam questionamentos sobre transparência e eventual conflito de interesses.
Rascunho indica possível estrutura financeira
As autoridades encontraram no celular de Mauricio Novelli um rascunho de acordo que descreve uma possível estrutura de pagamento relacionada ao apoio de Milei à $LIBRA. O documento teria sido elaborado entre outubro e novembro de 2024.
O texto menciona um total de US$ 5 milhões divididos em três partes: um pagamento inicial de US$ 1,5 milhão, outro valor equivalente após manifestação pública de apoio e, por fim, US$ 2 milhões vinculados a um possível papel consultivo em temas de blockchain.
Apesar disso, investigadores ressaltam que o documento não comprova a aceitação ou assinatura por parte do presidente. Tampouco há evidências de que os pagamentos tenham sido realizados. Ainda assim, o material passou a integrar uma investigação mais ampla, tratada como potencial fraude transnacional.
Linha do tempo sugere coordenação
De acordo com a cronologia reconstruída, o empresário Hayden Davis, também associado ao projeto, viajou à Argentina após a elaboração do rascunho. Posteriormente, o lançamento da $LIBRA ocorreu em 14 de fevereiro de 2025.
Assim, autoridades avaliam se houve coordenação prévia entre os envolvidos e se decisões estratégicas foram tomadas antes da estreia do ativo.
Impacto no mercado e versões conflitantes
A controvérsia começou em fevereiro de 2025, quando Milei promoveu a $LIBRA como parte de uma iniciativa voltada a investimentos em empresas argentinas. Como resultado, o token registrou forte alta inicial, seguida por queda acentuada em poucas horas.
O movimento gerou prejuízos para milhares de investidores e ampliou a pressão política e judicial. Além disso, a volatilidade extrema levantou dúvidas sobre a transparência do projeto.
Posteriormente, Milei afirmou que não possuía vínculo formal com a $LIBRA e que apenas compartilhou um código de contrato supostamente público. No entanto, especialistas ouvidos pelo Congresso argentino indicaram que esse código não estava acessível no momento da divulgação.
Investigação segue em andamento
As evidências reunidas, incluindo registros de chamadas, mensagens e o rascunho financeiro, reforçam as dúvidas sobre a participação do presidente. Nesse sentido, o caso continua em expansão, com análise em curso pelas autoridades.
Em conclusão, os dados disponíveis apontam para interações diretas, propostas financeiras e inconsistências nas declarações públicas. Ainda assim, a investigação segue sem conclusões definitivas sobre eventual responsabilidade legal.