Peter Schiff prevê queda de até 92% do Bitcoin

O Bitcoin voltou a operar acima de US$ 70 mil, sendo negociado próximo de US$ 71.400 recentemente. Ainda assim, apesar da recuperação, o economista Peter Schiff reforçou sua visão pessimista sobre o ativo. Para ele, fatores estruturais e o cenário macroeconômico continuam limitando o potencial de valorização.

Segundo Schiff, o espaço para novas altas parece restrito nos níveis atuais. Em contrapartida, o risco de queda permanece elevado. Assim, ele projeta que a principal criptomoeda pode enfrentar uma desvalorização superior a 90% nos próximos anos, especialmente em um ambiente de maior incerteza global.

Projeção indica possível queda até US$ 10 mil

Na avaliação do economista, o Bitcoin poderia recuar até a faixa de US$ 10 mil até o fim de 2026. Caso esse cenário se concretize, a queda representaria cerca de 85% a 90% em relação a níveis recentes acima de US$ 70 mil, dependendo do ponto de referência considerado.

Além disso, ele argumenta que o principal risco não está apenas no momento da queda, mas no posicionamento dos investidores. Ainda que o ativo mantenha desempenho positivo em horizontes mais longos, parte dos detentores atuais poderia acumular perdas relevantes.

Em outras palavras, Schiff sugere que retornos históricos não garantem proteção contra perdas no curto e médio prazo. Portanto, o risco de timing ganha relevância nas decisões de investimento.

Tensões geopolíticas e impacto nos mercados

Ao mesmo tempo, o economista relaciona o comportamento recente do Bitcoin ao aumento das tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Esse contexto inclui riscos de escalada militar e possíveis impactos no Estreito de Ormuz. Como resultado, o petróleo tende a reagir e os mercados globais apresentam maior volatilidade.

Schiff afirmou, em publicações na rede social X, que os mercados ainda não precificaram plenamente esses riscos. Segundo ele, em um cenário mais extremo, ações estariam mais pressionadas e o petróleo operaria em níveis mais elevados.

Assim sendo, o economista avalia que há uma subprecificação de cenários negativos. Consequentemente, esse desalinhamento pode ampliar a incerteza em diversos ativos, incluindo o Bitcoin.

Strategy amplia exposição ao Bitcoin

Enquanto Schiff mantém sua postura crítica, Michael Saylor segue ampliando a exposição ao Bitcoin por meio da Strategy. Recentemente, a empresa adquiriu 4.871 BTC a um preço médio de US$ 67.718, totalizando cerca de US$ 330 milhões.

Com a nova compra, as reservas da companhia alcançaram aproximadamente 766.970 BTC. Ao longo do tempo, o investimento acumulado soma cerca de US$ 58 bilhões, reforçando a confiança da empresa no potencial de longo prazo do ativo.

No entanto, Schiff argumenta que essa estratégia depende de uma narrativa otimista contínua. Caso ocorra uma correção acentuada, esse modelo pode enfrentar চাপões adicionais, afetando tanto a confiança quanto a precificação do ativo.

Debate com ativos tradicionais continua

Schiff também comparou o desempenho do Bitcoin com ativos tradicionais. Em sua análise, a criptomoeda teria ficado atrás de índices como Nasdaq e S&P 500, além de metais preciosos como ouro e prata em determinados recortes de tempo.

Com base nisso, ele questiona o papel do Bitcoin como reserva de valor. Por outro lado, defensores do ativo destacam ciclos mais amplos de valorização, sobretudo desde 2020. Ainda assim, o economista rejeita essas comparações, classificando-as como seletivas.

Esse debate, que ganha força entre analistas, evidencia o contraste entre visões tradicionais e digitais de investimento. Enquanto alguns enxergam o Bitcoin como proteção e inovação financeira, outros apontam riscos elevados e dependência de fluxo de capital e narrativa.

Em suma, o ativo permanece no centro das discussões sobre risco, retorno e confiança nos mercados globais.