Bitcoin: hashrate no Irã cai 77%, diz Hashrate Index

A taxa de processamento do Bitcoin no Irã registrou uma queda de cerca de 77% no último trimestre. Em termos práticos, o poder computacional recuou de aproximadamente 9 exahashes por segundo (EH/s) para cerca de 2 EH/s. O movimento ocorreu em meio a conflitos envolvendo Estados Unidos e Israel, que afetaram a infraestrutura energética iraniana.

Como resultado, cerca de 427 mil máquinas de mineração foram desligadas. Assim, a capacidade local encolheu de forma expressiva, refletindo interrupções no fornecimento de energia. Ao todo, a perda foi estimada em cerca de 7 EH/s em relação ao trimestre anterior.

Os dados constam em levantamento de Ian Philpot, diretor de marketing da Luxor Technology, publicado no Hashrate Index. Segundo o estudo, trata-se da maior contração regional desde a proibição da mineração na China, em 2021.

Fonte: Hashrate Index

Impacto energético limita mineração no país

Os ataques iniciados em fevereiro atingiram estruturas críticas, especialmente redes elétricas que sustentavam operações industriais de mineração. Desde 2019, o Irã havia legalizado a atividade e incentivado o setor com energia subsidiada, em especial de origem hidrelétrica.

Esse modelo permitia ao país contornar sanções econômicas internacionais ao converter energia em valor digital. No entanto, a instabilidade elétrica reduziu essa vantagem de forma abrupta.

Ainda assim, o impacto global foi limitado. A taxa total da rede Bitcoin permaneceu próxima de 1.000 EH/s durante o período. Dessa forma, a estrutura descentralizada do protocolo demonstrou resiliência diante de choques regionais.

Fonte: Hashrate Index

Segundo Philpot, a queda no Irã levou principalmente a uma redistribuição geográfica do hashrate, e não a um enfraquecimento estrutural da rede. Países como Emirados Árabes Unidos e Omã não apresentaram instabilidade relevante, apesar da proximidade regional.

“O impacto ficou restrito ao Irã. A taxa global se manteve estável porque nenhuma região isolada possui capacidade suficiente para comprometer a continuidade da rede.”

A perda de 7 EH/s representa menos de 0,7% da capacidade global anterior ao conflito. Portanto, o sistema absorveu o choque sem efeitos relevantes sobre segurança ou tempo de processamento.

Ajustes de dificuldade e pressão econômica

O protocolo do Bitcoin ajusta automaticamente sua dificuldade a cada 2.016 blocos, aproximadamente a cada duas semanas, a fim de manter o tempo médio de validação em torno de dez minutos. Nesse contexto, a queda no Irã é considerada limitada frente ao volume global.

Por outro lado, um movimento mais amplo chama atenção. A média móvel de 30 dias da taxa global caiu de cerca de 1.066 EH/s no primeiro trimestre para aproximadamente 1.004 EH/s no segundo, uma retração de 5,8%.

Esse recuo não está diretamente ligado ao conflito. O cenário sugere relação com a desvalorização do Bitcoin, que acumula queda superior a 45% desde o pico de US$ 126.000 registrado em outubro, conforme dados do CoinGecko.

Como consequência, a rentabilidade da mineração diminuiu. Operadores passaram a desligar equipamentos mais antigos e menos eficientes. Estimativas apontam que cerca de 252 EH/s em máquinas ASIC foram retirados de operação globalmente.

Diferentemente de 2021, quando a China eliminou entre 50% e 70% do hashrate global em poucas semanas, o cenário atual indica uma retração gradual e distribuída.

Apesar de um cessar-fogo temporário mencionado no período, ainda não há clareza sobre a recuperação da infraestrutura energética iraniana. Assim, a retomada da mineração no país permanece incerta.

Em conclusão, embora a queda no Irã seja relevante em nível regional, o impacto global segue contido. A rede Bitcoin continua operando próxima de 1.000 EH/s, absorvendo a perda sem comprometer seu funcionamento.