Standard Chartered avalia integrar Zodia

O Standard Chartered, banco global com sede em Londres, avalia uma reestruturação estratégica envolvendo a Zodia, sua plataforma de custódia de ativos digitais. O movimento considera integrar parte da operação à divisão de banco corporativo e de investimentos, que já atende clientes institucionais com serviços ligados a criptomoedas.

No entanto, a proposta não indica uma incorporação total. Ao contrário, a Zodia deve continuar operando como provedora independente no modelo SaaS. Dessa forma, a estratégia sugere uma abordagem híbrida, com o objetivo de ampliar sinergias internas sem comprometer a flexibilidade operacional.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre a mudança. Além disso, permanecem dúvidas sobre o impacto para investidores minoritários, como Northern Trust, National Australia Bank, Emirates NBD e SBI Holdings.

Posição da Zodia no mercado institucional

Lançada em 2020 como uma joint venture entre Standard Chartered e Northern Trust, a Zodia foi estruturada para oferecer custódia de ativos digitais a investidores institucionais. Entre seus clientes estão gestoras de ativos, fundos hedge e bancos que buscam exposição ao mercado cripto.

Desde então, a empresa expandiu sua presença internacional. Atualmente, mantém operações em sete escritórios distribuídos por centros financeiros relevantes, como Londres e Singapura. Ainda que mudanças estejam em análise, a expansão indica continuidade na estratégia global.

Parcerias e crescimento recente

Entre as iniciativas recentes, destaca-se a parceria com o Apex Group, que viabilizou a oferta integrada de custódia e administração de fundos. Além disso, a empresa firmou colaboração com a Galaxy Digital, passando a oferecer serviços de staking institucional na Europa.

Na ocasião do anúncio, a operação envolvia cerca de US$ 4,2 bilhões em ativos em staking. Esse volume reforça a crescente demanda institucional por soluções reguladas e seguras. Assim, a custódia se consolida como componente central da infraestrutura do mercado cripto.

Estratégia do Standard Chartered em ativos digitais

O possível reposicionamento da Zodia ocorre em meio ao avanço do Standard Chartered no setor. Em janeiro, por exemplo, o banco iniciou o desenvolvimento de uma corretora prime de criptomoedas dentro da unidade SC Ventures, sinalizando foco no público institucional.

Anteriormente, a instituição firmou parceria com o DCS Card Centre para apoiar cartões de crédito vinculados a stablecoins em Singapura. Ao mesmo tempo, também colaborou com a B2C2, ampliando o acesso institucional à liquidez em criptomoedas.

Custódia ganha peso na estratégia

Mais recentemente, o banco foi nomeado custodiante de ativos digitais e agente de liquidação da plataforma Fusion Digital Assets, da TP ICAP, voltada ao trading institucional. Esse movimento reforça a importância estratégica da custódia dentro da atuação do grupo.

Segundo a reportagem, a possível integração representa mais um passo na convergência entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema de ativos digitais.

Além disso, a custódia tende a oferecer margens mais estáveis quando comparada ao trading, com menor exposição a volatilidade. Por consequência, instituições que dominam essa infraestrutura conseguem atrair clientes institucionais relevantes, como fundos, tesourarias corporativas e operadores de ativos tokenizados.

Em suma, embora ainda não confirmada, a iniciativa está alinhada à estratégia mais ampla do Standard Chartered no mercado cripto e ao avanço contínuo da Zodia no segmento institucional.