USDC impulsiona gastos com cartões cripto a US$600M

O uso de cartões vinculados a criptomoedas alcançou cerca de US$600 milhões em volume mensal em março de 2026. O número representa alta de 211% em relação aos US$187 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. Assim, o movimento sinaliza uma possível mudança estrutural no uso desses meios de pagamento no cotidiano.

No acumulado, o volume total já soma aproximadamente US$6,5 bilhões distribuídos em 21,4 milhões de transações. A Visa concentrou cerca de 97% desse montante em março, com US$581,8 milhões processados. Dessa forma, o cenário reforça o papel central das redes tradicionais na integração entre cripto e pagamentos no mundo real.

Além disso, o crescimento reflete uma transformação prática. Atualmente, usuários conseguem converter saldos on-chain em poder de compra quase instantaneamente. Em outras palavras, reduz-se a necessidade de etapas intermediárias, como saques em exchanges ou transferências bancárias.

USDC ganha espaço no uso cotidiano

O avanço ao longo de seis trimestres consecutivos sugere mudança no comportamento dos usuários. Cada vez mais, investidores passam a utilizar criptomoedas não apenas como ativos especulativos, mas também como meio de pagamento funcional.

Nesse contexto, stablecoins ganham destaque, especialmente o USDC, que vem ampliando participação nesse segmento. O movimento ocorre, sobretudo, devido à estabilidade de valor e à maior integração com sistemas globais de pagamento.

Ao mesmo tempo, a redução de fricção nas transações favorece a adoção. Os cartões cripto permitem pagamentos diretos com ativos digitais, enquanto a conversão para moeda fiduciária ocorre automaticamente no momento da compra.

Para consumidores e comerciantes, a experiência permanece semelhante à dos cartões tradicionais. Assim, a tecnologia opera nos bastidores, enquanto a usabilidade segue simples e acessível.

Infraestrutura e domínio das redes tradicionais

A forte presença da Visa reflete sua ampla aceitação global. Além disso, evidencia como empresas tradicionais seguem essenciais nesse processo de transição. Afinal, essas redes garantem compatibilidade com milhões de estabelecimentos.

Entre as blockchains utilizadas, a TRON liderou com cerca de 35% do volume em março. Em seguida aparece a BNB Chain, com aproximadamente 15%. Nesse sentido, a escolha das redes parece estar mais ligada a custos e eficiência operacional do que a preferências ideológicas.

Adoção global avança, com destaque para a Ásia

O Sudeste Asiático respondeu por aproximadamente 60% do volume global de pagamentos com stablecoins. O dado indica forte adoção em mercados emergentes. Além disso, a emissão de cartões na região cresceu significativamente entre 2024 e 2025.

Nessas economias, os cartões cripto frequentemente funcionam como alternativa relevante ao sistema financeiro tradicional, especialmente em locais com infraestrutura bancária limitada.

Ao mesmo tempo, novos emissores ampliam a concorrência. Empresas como KAST, Tria e o Pengu Card, baseado na Solana, expandem o acesso global. Este último permite o uso de USDC e USDT em cerca de 150 milhões de estabelecimentos.

Nos Estados Unidos, a adoção por comerciantes atingiu cerca de 39%. Portanto, até mesmo mercados mais maduros começam a absorver essa infraestrutura com maior intensidade.

Em conclusão, o avanço do USDC e o crescimento consistente do volume sugerem que os cartões cripto estão se consolidando como um canal relevante de pagamentos no cenário global.