Bitcoin recua após CPI dos EUA subir a 3,3%
A inflação nos Estados Unidos acelerou em março de 2026 e impactou diretamente o Bitcoin e outros ativos de risco. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,9% no mês, elevando a taxa anual para 3,3%. O movimento foi impulsionado, sobretudo, pela alta nos preços de energia, que avançaram 10,9%, enquanto a gasolina registrou salto de 21,2%.
Com isso, a inflação volta a pressionar a economia americana. Nesse sentido, o cenário tende a influenciar as decisões do Federal Reserve. Ao mesmo tempo, investidores ajustam expectativas, já que políticas monetárias mais restritivas reduzem a liquidez global.
Inflação elevada pressiona mercado cripto
O avanço do CPI reforça a percepção de que a inflação ainda não está totalmente controlada. Por outro lado, o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês e 2,6% em 12 meses. Ainda assim, o índice cheio segue como principal referência para o mercado.
Assim sendo, o dado mais forte aumenta a probabilidade de manutenção de juros elevados por mais tempo. Em outras palavras, o Federal Reserve tende a adotar uma postura cautelosa. Como resultado, o apetite por ativos de risco diminui, incluindo criptomoedas.
Mesmo nesse ambiente, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 72.470. Já o Ethereum girava em torno de US$ 2.222. Ambos registraram ganhos modestos, mas refletiram a cautela dos investidores diante da incerteza macroeconômica.
Energia lidera pressão inflacionária
A inflação foi impulsionada, principalmente, pelo aumento expressivo nos custos de energia. Esse avanço representa o maior salto mensal em anos, o que reforça a pressão sobre o índice cheio. Como consequência, consumidores e empresas enfrentam custos mais elevados.
Além disso, mesmo com outros componentes mais estáveis, o peso da energia dominou o resultado. Portanto, o impacto sobre a política monetária tende a ser relevante.
Tensões geopolíticas elevam preços globais
A alta nos preços de energia ocorre em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio. No início de março, relatos indicaram interrupções no fluxo pelo Estreito de Ormuz após conflitos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. A região é responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo.
Como consequência, o mercado reagiu rapidamente. O barril do Brent ultrapassou US$ 110 em poucos dias, elevando os custos energéticos globalmente e influenciando os dados de inflação dos Estados Unidos.

Fonte: X
Com efeito, esse choque de oferta elevou rapidamente os preços. Assim, a inflação cheia voltou a ganhar força, mesmo com relativa estabilidade em outros setores.
Juros altos desafiam o Bitcoin
Com a inflação acima do esperado, as projeções de corte de juros foram adiadas. Dados do CME FedWatch Tool mostram redução nas apostas de cortes no curto prazo.
Nesse contexto, o ambiente se torna mais desafiador para o mercado de criptomoedas. Juros elevados reduzem a liquidez e aumentam o custo de capital. Além disso, a mineração de Bitcoin também sente pressão, já que depende intensamente de energia.
Instituições financeiras revisaram suas projeções. O Goldman Sachs estima 30% de probabilidade de recessão nos próximos 12 meses, enquanto a EY-Parthenon projeta 40%. Dessa forma, o cenário reforça a cautela entre investidores.
Em suma, a combinação de inflação elevada, energia cara e tensões geopolíticas mantém os mercados em alerta. O desempenho do Bitcoin tende a seguir sensível às decisões do Federal Reserve e à evolução do cenário global.