Butão reduz reservas de Bitcoin em 70%, mostram dados

O governo do Butão reduziu de forma significativa sua exposição ao Bitcoin, conforme indicam dados recentes. Em 10 de abril, o país transferiu 250 BTC para uma carteira associada a negociações OTC, movimento que reforça uma tendência contínua de vendas ao longo dos últimos 18 meses.

Queda expressiva nas reservas de Bitcoin

Estimativas apontam que o Butão possuía cerca de 13.000 BTC em outubro de 2024. Atualmente, esse volume gira em torno de 3.954 BTC. Assim, a redução acumulada se aproxima de 70%, o que diminui o peso relativo do país entre governos com grandes posições no ativo.

Apesar disso, o país ainda mantém aproximadamente US$ 280 milhões em Bitcoin. Por outro lado, apenas em 2026, cerca de US$ 215,7 milhões teriam sido movimentados para fora de carteiras ligadas ao governo. Dessa forma, o padrão observado sugere uma estratégia consistente de redução de exposição.

Historicamente, o Butão construiu sua reserva por meio da mineração, aproveitando sua abundante energia hidrelétrica. Com isso, o país converteu excedentes energéticos em ativos digitais, alcançando posição relevante entre detentores estatais de Bitcoin.

A operação foi conduzida pelo fundo soberano Druk Holding and Investments. Dados da Arkham Intelligence indicam que as vendas começaram no fim de 2024 e, desde então, ocorrem de forma gradual.

Reservas de Bitcoin do Butão

Fonte: X

Mudanças na mineração e estratégia

As transações recentes envolvem carteiras associadas a plataformas institucionais como Galaxy Digital e OKX. Isso indica o uso de canais estruturados para liquidação. Ainda assim, o governo não apresentou explicações oficiais, o que mantém espaço para diferentes interpretações no mercado.

Além disso, dados sugerem queda relevante na atividade de mineração. Não há registros expressivos de entrada de novos Bitcoins há mais de um ano. Do mesmo modo, não foram identificadas movimentações relevantes acima de US$ 100 mil nesse período, o que pode indicar desaceleração operacional.

Entre as possíveis razões, analistas citam o impacto do halving do Bitcoin, que reduziu as recompensas de mineração. Como resultado, a rentabilidade pode ter sido afetada. Ao mesmo tempo, a concorrência global, com operações mais eficientes e em larga escala, tende a pressionar players menores.

Fatores econômicos e realocação de recursos

Por outro lado, há fatores macroeconômicos que podem explicar a mudança. O Butão pode obter retornos mais previsíveis ao exportar energia hidrelétrica para países vizinhos. Nesse sentido, a venda direta de energia pode se mostrar mais estável do que a mineração, que depende da volatilidade do mercado cripto.

Em conjunto, os dados indicam um reposicionamento estratégico. O país reduziu suas reservas, interrompeu a expansão via mineração e segue movimentando volumes relevantes do ativo. Ainda que mantenha participação significativa em Bitcoin, a abordagem atual sugere maior cautela diante das condições de mercado.