Solana: Yakovenko critica imposto sobre riqueza

O cofundador da Solana, Anatoly Yakovenko, comentou os possíveis efeitos da criação de um imposto sobre grandes fortunas nos Estados Unidos. Segundo ele, a medida pode gerar impactos relevantes para fundadores e empreendedores, especialmente quando combinada com políticas monetárias expansionistas.

O tema ganhou força após declarações do investidor David Friedberg em um podcast. Na ocasião, ele argumentou que o principal risco não está apenas na alíquota, mas no poder concedido ao governo para avaliar patrimônios individuais de forma recorrente. Assim, o debate passa a envolver questões estruturais sobre propriedade e transparência.

Impactos potenciais sobre empreendedores

Em resposta, Yakovenko ampliou a discussão ao destacar a relação entre emissão monetária e valorização de ativos. Para ele, a expansão da base monetária pode inflar preços artificialmente. Como resultado, isso elevaria a carga tributária sobre patrimônios ainda não convertidos em liquidez.

Em publicação na rede X, o executivo afirmou que esse cenário tende a pressionar diretamente fundadores de empresas. A declaração pode ser consultada aqui.

“O problema é que o governo pode imprimir dinheiro e elevar os preços dos ativos, forçando aqueles que constroem empresas a ceder uma parte maior de sua participação”, afirmou Yakovenko.

Na prática, isso sugere que empreendedores poderiam precisar vender participações para cumprir obrigações fiscais. Ainda que o patrimônio cresça, a ausência de liquidez imediata pode dificultar o pagamento de impostos. Dessa forma, o modelo levanta preocupações sobre incentivos à inovação e retenção de controle societário.

Transparência e expansão da base tributária

Além disso, Friedberg destacou que um imposto sobre riqueza exigiria ampla transparência patrimonial. Segundo ele, o modelo implicaria monitoramento constante dos ativos individuais, o que, em sua visão, altera a dinâmica da propriedade privada.

“Um imposto sobre riqueza elimina a propriedade privada. O governo passa a ter o direito de avaliar tudo o que você possui todos os anos”, afirmou.

Ele também alertou que alíquotas iniciais relativamente baixas podem se expandir ao longo do tempo. Por exemplo, uma taxa aplicada inicialmente a bilionários poderia, posteriormente, alcançar outros grupos. Assim, a base tributária tenderia a crescer conforme pressões políticas e fiscais aumentam.

Apesar das críticas, Friedberg afirmou que não se opõe à tributação em si. Segundo ele, há maior previsibilidade em impostos sobre renda, mesmo em níveis elevados, do que em cobranças recorrentes sobre patrimônio acumulado.

Debate avança no cenário político dos EUA

O tema também ganhou espaço no debate político americano. Propostas de tributação sobre grandes fortunas têm sido associadas a figuras como Bernie Sanders, Elizabeth Warren e Alexandria Ocasio-Cortez. Nesse sentido, o assunto deve permanecer relevante nos próximos ciclos eleitorais.

Entre 2026 e 2028, a discussão tende a se intensificar, especialmente diante de pressões por redistribuição de renda. Ao mesmo tempo, analistas avaliam que a distinção entre tributar renda e patrimônio seguirá no centro das divergências.

Em suma, tanto Yakovenko quanto Friedberg apontam possíveis efeitos indiretos de um imposto sobre riqueza. Entre eles, destacam-se riscos à liquidez de empreendedores, mudanças nos incentivos econômicos e maior alcance do Estado sobre ativos privados.