Bitcoin entra no debate sobre tarifas no Estreito de Ormuz

O parlamento do Irã aprovou, em 30 de março de 2026, um novo sistema de tarifas para o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo. Nesse contexto, o Bitcoin passou a ser citado como possível meio de pagamento, atraindo a atenção do mercado de criptomoedas.

Atualmente, o estreito responde por cerca de 21 milhões de barris por dia, o equivalente a quase 20% da oferta global. Assim, com a formalização das taxas, cresce o interesse sobre os mecanismos de liquidação, sobretudo diante das sanções econômicas impostas ao país.

Plano iraniano formaliza cobrança no estreito

A nova legislação, chamada Plano de Gestão do Estreito de Ormuz, consolida um modelo que, segundo relatos, já vinha sendo aplicado desde meados de março pela Guarda Revolucionária Islâmica. A cobrança se concentra em embarcações que buscam passagem segura pela região.

As estimativas indicam um custo próximo de US$ 1 por barril transportado. Dessa forma, um superpetroleiro totalmente carregado pode pagar cerca de US$ 2 milhões por travessia. Como resultado, a arrecadação diária pode alcançar US$ 20 milhões apenas com esse tipo de navio.

Esse volume levantou questionamentos sobre os meios de pagamento. Inicialmente, surgiram referências ao uso do yuan chinês e de stablecoins. Posteriormente, o Bitcoin também passou a ser citado, com base em declarações atribuídas a um porta-voz da União de Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã.

Bitcoin ainda não lidera liquidações

Apesar da repercussão, dados on-chain não mostram movimentações em Bitcoin compatíveis com pagamentos recorrentes nesse volume. Portanto, embora esteja no debate, o ativo ainda não ocupa papel central nesse sistema.

Em contrapartida, relatórios indicam que stablecoins seguem amplamente utilizadas, especialmente o USDT na rede Tron. Assim, essas moedas digitais parecem formar a principal camada de liquidação nas operações associadas ao país.

Criptomoedas ganham espaço sob sanções

Desde 2018, quando os Estados Unidos deixaram o acordo nuclear, o Irã passou a buscar alternativas ao sistema financeiro tradicional. Nesse sentido, o uso de ativos digitais ganhou relevância como ferramenta para contornar restrições.

Em 2019, o parlamento iraniano legalizou a mineração industrial de Bitcoin. Como resultado, o país chegou a representar cerca de 4,2% do poder computacional global da rede. Além disso, essa estratégia permitiu ao governo acumular reservas fora do sistema financeiro convencional.

Posteriormente, ataques atribuídos a forças dos Estados Unidos e de Israel teriam afetado grande parte dos cerca de 427 mil equipamentos de mineração ativos no país. Ainda assim, a mineração estatal teria produzido Bitcoin a um custo estimado de US$ 1.300 por unidade.

Pressão internacional e monitoramento

Ao mesmo tempo, a fiscalização internacional se intensificou. Em setembro de 2022, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos (OFAC) sancionou operadores ligados à Guarda Revolucionária. Além disso, autoridades passaram a monitorar exchanges offshore associadas ao grupo.

Dados apontam que fluxos financeiros vinculados à organização em plataformas registradas no Reino Unido saltaram de US$ 24 milhões em 2023 para US$ 619 milhões em 2024. No total, a TRM Labs estima cerca de US$ 3 bilhões em atividades com criptomoedas desde 2023.

Nesse cenário, o Bitcoin mantém relevância por sua natureza descentralizada, que dificulta bloqueios diretos de fundos. Ainda assim, na prática, stablecoins dominam transações recorrentes devido à maior estabilidade de preço.

Paralelamente, dados do mercado de previsões Polymarket indicaram 62% de probabilidade de um acordo permanente entre Estados Unidos e Irã até 31 de maio de 2026, conforme publicação na plataforma X.

Em suma, a formalização das tarifas no Estreito de Ormuz reforça o uso crescente de criptomoedas em cenários geopolíticos sensíveis. No entanto, as evidências atuais indicam que stablecoins, e não o Bitcoin, seguem como principal meio de liquidação nessas operações.