Bitcoin pode subir com Nasdaq, diz van de Poppe
O Bitcoin é negociado próximo de US$ 74.683, com alta de 0,71% nas últimas 24 horas. Ao mesmo tempo, os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram entradas líquidas de US$ 411,5 milhões em 15 de abril, um dos resultados mais fortes das últimas semanas. Ainda assim, além do fluxo institucional, um fator técnico passou a ganhar destaque: a correlação histórica com o índice Nasdaq.
Segundo o analista Michaël van de Poppe, essa correlação, que normalmente varia entre 0,40 e 0,85 dependendo do cenário macroeconômico, caiu para -0,20 nos últimos dois trimestres. Trata-se, portanto, do nível mais baixo observado na última década.
“Este é o período com a menor correlação dos últimos 10 anos. Isso cria uma oportunidade enorme para o Bitcoin”, afirmou o analista.
Divergência com Nasdaq entra no radar
A princípio, essa divergência permite duas leituras. Por um lado, o Nasdaq pode estar atrasado em relação ao Bitcoin, o que sugeriria uma possível correção nos mercados acionários. Por outro, cenário considerado mais provável pelo analista, o Nasdaq estaria antecipando um movimento de alta que o Bitcoin ainda não acompanhou.
Atualmente, tanto o S&P 500 quanto o Nasdaq operam próximos de suas máximas históricas. Enquanto isso, o Bitcoin segue relativamente descontado. Dessa forma, esse descompasso reforça a tese de que a criptomoeda pode recuperar terreno no curto e médio prazo.

Fonte: CryptoChartWatch
Além disso, outro ponto relevante envolve a relação entre o Bitcoin e o ouro. Conforme van de Poppe, o ativo digital está em seu nível mais baixo de valorização relativa ao metal precioso considerando desvios padrão históricos. Assim, esse contexto pode sinalizar uma oportunidade incomum no mercado.
Correlação histórica e quebra de padrão
No longo prazo, Bitcoin e Nasdaq seguiram trajetórias semelhantes desde 2017. Em especial, entre 2021 e 2022, a correlação foi elevada e consistente. No entanto, o cenário atual se destaca justamente pela quebra desse padrão histórico.
De fato, a divergência visual observada nos gráficos sugere que o Bitcoin está sendo negociado abaixo do esperado frente aos níveis atuais dos mercados acionários. Em outras palavras, enquanto índices tradicionais testam recordes, o ativo digital ainda não refletiu esse movimento.

Fonte: X
Histórico de recuperação sustenta otimismo
Além da correlação, o histórico de desempenho do Bitcoin após quedas relevantes reforça uma leitura construtiva. Dados analisados indicam que, em episódios semelhantes, o ativo registrou valorização média de 45% após três meses.
Em um horizonte mais amplo, o ganho médio chegou a 370% em 12 meses. Portanto, esse padrão sugere que períodos de desvalorização relativa podem anteceder movimentos expressivos de alta.
Fatores que sustentam o cenário
Atualmente, três elementos se destacam. Em primeiro lugar, a correlação negativa incomum com o Nasdaq. Em segundo, o valuation historicamente baixo em relação ao ouro. Por fim, o padrão recorrente de recuperação após correções.
Como resultado, a combinação desses fatores desenha um cenário que merece atenção. Ainda que o mercado permaneça sensível a variáveis macroeconômicas, os sinais técnicos indicam potencial de valorização.
Em conclusão, o Bitcoin atravessa um momento atípico. Justamente por isso, pode estar diante de uma janela estratégica, caso volte a se alinhar ao desempenho dos principais índices globais.