Senador cobra status de investigação da Binance sobre o Irã

O senador norte-americano Richard Blumenthal, do Partido Democrata, solicitou atualizações ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) e à Financial Crimes Enforcement Network (FinCEN) sobre o monitoramento da Binance. A iniciativa ocorre em meio a preocupações com o programa de compliance da corretora e possíveis falhas nos controles de prevenção à lavagem de dinheiro.

Segundo a Fortune, Blumenthal enviou cartas oficiais questionando se a estrutura de supervisão imposta à empresa está funcionando como previsto. Além disso, o pedido surge após informações indicarem fluxos de criptomoedas ligados ao Irã, ampliando a preocupação regulatória.

O senador também citou reportagens do New York Times, que apontam movimentações associadas a entidades iranianas. Nesse sentido, ele destacou a necessidade de garantir que os mecanismos de controle estejam sendo aplicados de forma efetiva.

Supervisão federal após acordo bilionário

A Binance (cadastre-se) firmou, em 2023, um acordo com autoridades dos Estados Unidos após admitir violações relacionadas a sanções e falhas em políticas contra lavagem de dinheiro. Como resultado, a corretora concordou em pagar US$ 4,3 bilhões, um dos maiores acordos já registrados no setor.

Além disso, a empresa aceitou a implementação de supervisão independente. Assim, dois monitores foram designados, um vinculado ao DOJ e outro à FinCEN, com a missão de acompanhar as reformas de compliance iniciadas em 2024.

No entanto, o questionamento de Blumenthal surge após novas alegações envolvendo a atuação interna da empresa. Relatos da imprensa indicam que investigadores internos teriam sido desligados após identificarem mais de US$ 1 bilhão em transações ligadas a carteiras associadas ao Irã. Ainda assim, a Binance nega irregularidades.

Esse cenário se insere em um debate mais amplo sobre a eficácia dos programas de monitoramento corporativo nos Estados Unidos. Por um lado, há críticas ao custo elevado dessas iniciativas. Por outro, questiona-se sua capacidade real de supervisionar grandes empresas do mercado de criptomoedas.

Debate sobre eficácia regulatória

Em contrapartida, especialistas afirmam que a supervisão contínua segue relevante. Contudo, há relatos de que o DOJ teria revisado ou pausado iniciativas semelhantes, o que levanta dúvidas sobre a consistência da fiscalização. Dessa forma, o caso da Binance passa a ser visto como um teste para o modelo regulatório vigente.

Pressão política amplia escrutínio

A pressão sobre a Binance não se limita à iniciativa de Blumenthal. No início de 2026, um grupo de senadores democratas solicitou uma revisão abrangente das práticas da corretora. Em carta enviada à procuradora-geral Pam Bondi e ao secretário do Tesouro Scott Bessent, os parlamentares pediram análise detalhada das políticas de sanções.

O documento foi liderado pelo senador Mark Warner, com apoio de Elizabeth Warren e outros membros do Senado. Segundo os legisladores, a principal preocupação envolve o risco de financiamento ilícito e a capacidade da empresa de prevenir essas atividades.

Os parlamentares afirmam que relatórios internos teriam identificado cerca de US$ 1,7 bilhão em transações associadas a agentes iranianos. Além disso, um fornecedor da Binance teria facilitado US$ 1,2 bilhão em transferências relacionadas a essas entidades.

Ademais, os senadores apontam que usuários iranianos teriam acessado mais de 1.500 contas na plataforma. Ao mesmo tempo, surgem suspeitas de uso da corretora por agentes russos para contornar sanções econômicas internacionais.

Cultura de compliance em foco

Outro ponto levantado envolve a conduta interna da empresa. Segundo os parlamentares, funcionários que reportaram atividades suspeitas teriam sido demitidos, o que levanta dúvidas sobre a cultura de compliance da organização.

Além disso, há críticas de que a Binance(cadastre-se) estaria menos colaborativa com autoridades. Caso confirmado, esse comportamento pode comprometer os termos do acordo firmado em 2023.

Na ocasião, a empresa se declarou culpada por violações federais e se comprometeu a implementar melhorias, incluindo sistemas mais rigorosos de verificação de identidade e monitoramento de sanções.

Em conclusão, as novas alegações colocam em dúvida se essas mudanças foram aplicadas de forma contínua. Como resultado, cresce o escrutínio sobre a efetividade das medidas adotadas e sobre o cumprimento dos compromissos assumidos com autoridades americanas.