USDT lidera R$ 505 bi em cripto no Brasil
O mercado de criptomoedas no Brasil atingiu um novo recorde em 2025, com R$ 505,5 bilhões em operações declaradas à Receita Federal. O valor representa alta de 21,5% frente aos R$ 416,1 bilhões registrados em 2024, consolidando o maior nível da série histórica.
Os dados consideram declarações enviadas até abril de 2026 e abrangem todo o ano anterior. O relatório da Receita detalha a evolução mensal e o comportamento dos investidores, permitindo uma leitura precisa do avanço do setor.
Ao longo de 2025, a atividade permaneceu aquecida. Em especial, os meses finais concentraram maior volume. Novembro liderou com R$ 54,7 bilhões, enquanto fevereiro registrou o menor patamar, com R$ 35,8 bilhões. Ainda assim, o nível se manteve elevado na comparação histórica.
Exchanges nacionais concentram operações
As plataformas brasileiras responderam pela maior parte das negociações durante praticamente todo o ano. Em novembro, por exemplo, essas exchanges concentraram R$ 35,2 bilhões do total movimentado.
Esse cenário indica que, apesar da presença de operações internacionais, o mercado segue fortemente ancorado em empresas locais. Além disso, a preferência por plataformas nacionais sugere maior confiança na infraestrutura doméstica.
USDT domina o mercado brasileiro
O principal destaque entre os ativos foi o USDT, stablecoin emitida pela Tether. Ao longo de 2025, o ativo movimentou cerca de R$ 326,9 bilhões, o equivalente a 64,7% de todo o volume declarado.
Esse protagonismo reflete o papel das stablecoins como instrumento de liquidez e proteção cambial. Além disso, funcionam como base para negociações com outros ativos digitais. Assim, sua adoção cresce à medida que o mercado amadurece.
Na sequência, o Bitcoin registrou aproximadamente R$ 48 bilhões em operações. Apesar de seguir como o ativo mais conhecido, seu volume ficou bem abaixo do USDT. O melhor desempenho mensal ocorreu em janeiro, com cerca de R$ 5,8 bilhões.
Altcoins mantêm participação relevante
Outras criptomoedas também tiveram presença significativa. O Ethereum movimentou R$ 16,9 bilhões ao longo do ano. Já a Solana somou cerca de R$ 8,13 bilhões, enquanto o XRP registrou R$ 5,84 bilhões.
Ainda assim, o domínio das stablecoins permanece evidente. Em outras palavras, o volume concentrado no USDT aponta para uma mudança estrutural no comportamento dos investidores.
Base de investidores oscila ao longo do ano
O número de participantes também variou em 2025. Entre pessoas físicas, janeiro registrou o pico, com 6,03 milhões de CPFs. Em contrapartida, junho apresentou o menor nível, com 1,33 milhão.
No caso das empresas, agosto concentrou o maior número de CNPJs, com 116,3 mil registros. Já junho novamente marcou o menor volume, com 25,1 mil.
Essas oscilações refletem mudanças no comportamento ao longo do ano. Ainda assim, o volume total negociado seguiu em expansão, indicando crescimento consistente do mercado.
Fiscalização avança junto com o mercado
O crescimento ocorre em um ambiente de maior supervisão. Desde 2019, quando a Receita Federal implementou regras de reporte para criptoativos, a base de dados do setor se tornou mais robusta.
Mesmo com maior fiscalização, o mercado de criptomoedas continua em expansão. Como resultado, o setor demonstra maior maturidade e adaptação às exigências regulatórias.
Em suma, o volume superior a R$ 500 bilhões e a liderança do USDT reforçam a crescente relevância dos ativos digitais no sistema financeiro brasileiro, indicando continuidade na trajetória de crescimento.