França impulsiona stablecoins em euro na União Europeia

O ministro francês Roland Lescure defendeu a expansão das stablecoins atreladas ao euro em meio ao aumento das tensões entre União Europeia e Estados Unidos. Segundo ele, a iniciativa busca reduzir a dependência de sistemas de pagamento dominados pelo dólar, ao mesmo tempo em que fortalece a soberania financeira europeia.

Europa tenta reduzir domínio do dólar no setor

As stablecoins são criptomoedas projetadas para manter valor estável, geralmente vinculadas a moedas fiduciárias. Atualmente, o mercado global é amplamente dominado por ativos atrelados ao dólar, como USDT e USDC, o que reflete o papel da moeda americana como principal reserva global.

Além disso, o ambiente regulatório nos Estados Unidos tende a reforçar essa liderança. A chamada GENIUS Act, sancionada em julho de 2025, estabeleceu diretrizes que ampliam a participação institucional no segmento. Dessa forma, o cenário favorece o avanço de stablecoins lastreadas em dólar.

Durante uma conferência sobre criptomoedas em Paris, Lescure afirmou que o volume de stablecoins baseadas no euro ainda está abaixo do potencial esperado. Nesse sentido, ele defendeu que bancos europeus acelerem suas iniciativas para competir em um mercado cada vez mais estratégico.

Projeto Qivalis e euro digital ganham destaque

O ministro destacou a iniciativa Qivalis, liderada por instituições como ING, UniCredit e BNP Paribas. O projeto prevê o lançamento de uma stablecoin em euro no segundo semestre de 2026, com o objetivo de ampliar a presença da moeda europeia no ecossistema digital.

Além disso, o movimento faz parte de uma estratégia mais ampla da União Europeia para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros. Em paralelo, o Banco Central Europeu avança no desenvolvimento do euro digital, buscando preservar sua relevância em uma economia cada vez mais digitalizada.

Dados do TradingView mostram que as stablecoins em euro ainda representam uma fatia pequena do mercado. O setor soma cerca de US$ 675,9 milhões, com o token EURC liderando com US$ 429,01 milhões.

Esse volume equivale a apenas 0,207% de um mercado total estimado em US$ 325,72 bilhões. Portanto, a diferença evidencia o domínio das stablecoins em dólar e reforça a pressão por iniciativas europeias.

Bancos ampliam uso de blockchain

Além das stablecoins, Lescure também defendeu o avanço dos depósitos tokenizados, que representam versões digitais de depósitos bancários registradas em blockchain. Esses ativos tendem a oferecer maior eficiência operacional e transparência.

Instituições como JPMorgan, HSBC e Citi já adotam soluções nesse modelo. Segundo o ministro, a integração entre stablecoins e depósitos tokenizados pode impulsionar a competitividade do sistema financeiro europeu.

Nesse contexto, a Europa busca não apenas acompanhar tendências, mas também liderar a inovação no mercado cripto. A evolução das stablecoins segue como peça central dessa estratégia.

Stablecoins
Total do valor de mercado de criptomoedas em US$ 2,58 trilhões no gráfico diário

Fonte: TradingView

Em conclusão, as declarações de Roland Lescure evidenciam a preocupação da União Europeia com sua baixa participação no mercado global. Ao mesmo tempo, iniciativas como o Qivalis e o euro digital indicam uma tentativa coordenada de fortalecer o papel do euro no universo das criptomoedas.