Ethereum mostra mudança nos derivativos, aponta Darkfost

O Ethereum tenta se sustentar acima de US$ 2.300 em meio a um ambiente de volatilidade no mercado de criptomoedas. Ainda assim, o comportamento recente indica hesitação entre compradores e vendedores. Nesse contexto, investidores aguardam sinais mais consistentes antes de ampliar exposição. Segundo o analista Darkfost, porém, essa dinâmica pode estar mudando de forma relevante nos derivativos.

Ao longo deste ciclo, os derivativos de Ethereum exibiram um padrão atípico. Em vez de suporte comprador contínuo, predominou pressão vendedora. O indicador net taker volume, que mede a agressividade das ordens, permaneceu majoritariamente negativo. Como resultado, vendedores dominaram inclusive durante movimentos de alta.

Em dezembro de 2024, por exemplo, quando o ativo se aproximava de sua máxima histórica acima de US$ 4.000, o volume líquido recuou para cerca de US$ -511 milhões. Já no topo do ciclo, próximo de US$ 5.000, a pressão vendedora se intensificou para US$ -568 milhões. Dessa forma, cada avanço tornou-se mais difícil e custoso.

Derivativos mostram possível mudança estrutural

Desde março, contudo, esse padrão começou a se inverter. Gradualmente, compradores passaram a assumir maior protagonismo. O net taker volume atingiu cerca de US$ 102 milhões positivos, sinalizando uma inflexão relevante. Em outras palavras, os compradores voltaram a agir de maneira mais agressiva.

Ethereum NetTakerVolume Chart
Ethereum NetTakerVolume Chart | Fonte: CryptoQuant

Darkfost observou que a última vez em que esse nível de pressão compradora apareceu foi em 2022, quando o Ethereum era negociado próximo de US$ 1.000, durante o fundo do ciclo anterior. Assim, o contexto atual chama atenção por sua raridade.

Histórico reforça relevância do movimento

Durante todo este ciclo, a dominância dos vendedores não se limitou aos períodos de queda. Pelo contrário, também ocorreu nas tentativas de recuperação. Como resultado, cada impulso de alta era rapidamente neutralizado. Portanto, a recente inversão pode indicar uma mudança estrutural mais ampla.

Caso os compradores continuem absorvendo a oferta, o cenário tende a evoluir. Ainda que seja cedo para confirmar uma reversão completa, a transição de US$ -568 milhões para US$ 102 milhões positivos representa uma inflexão significativa. Em consequência, o mercado começa a mostrar sinais de maior equilíbrio.

Preço enfrenta resistência e busca consolidação

Do ponto de vista técnico, o Ethereum tenta se estabilizar acima de US$ 2.300. Isso ocorre após a recuperação parcial das perdas registradas em fevereiro, quando o preço caiu abaixo de US$ 1.800. Desde então, o ativo forma fundos mais altos, o que sugere recuperação gradual no curto prazo.

Média de 200 dias limita avanço

Apesar da melhora, a estrutura mais ampla segue indefinida. A média móvel de 200 dias mantém inclinação negativa e atua como resistência dinâmica. Nesse sentido, a faixa entre US$ 2.350 e US$ 2.400 concentra pressão vendedora, limitando o avanço.

Além disso, o volume reforça essa leitura. A queda de fevereiro ocorreu com forte aumento de negociações, indicando liquidações forçadas. Por outro lado, a recuperação atual apresenta volumes mais moderados, o que sugere um movimento mais equilibrado.

Em suma, embora o cenário de curto prazo mostre melhora, o Ethereum ainda precisa superar a média de 200 dias para confirmar uma reversão consistente. Até lá, o ativo permanece em consolidação, enquanto os derivativos indicam, pela primeira vez desde 2022, retomada da força compradora.