Moody’s: stablecoin ainda não ameaça bancos

O avanço da regulação das criptomoedas nos Estados Unidos segue travado no Congresso. Nesse sentido, o impasse envolve bancos tradicionais e empresas do mercado cripto, sobretudo em torno do papel da stablecoin na economia digital. A principal divergência gira em torno da possibilidade de esses ativos oferecerem rendimento aos usuários.

Impasse regulatório trava avanço do setor

O Digital Asset Market Clarity Act de 2025, conhecido como CLARITY Act, foi elaborado com o propósito de definir regras para a classificação e supervisão de ativos digitais. No entanto, o projeto enfrenta resistência crescente, especialmente após críticas públicas de empresas como a Coinbase.

Em primeiro lugar, a proposta proíbe stablecoins com rendimento, o que gerou forte reação do setor cripto. Por outro lado, bancos tradicionais defendem a manutenção dessa restrição, pois temem impactos diretos em seus modelos de negócio. Assim, o debate se intensificou nos bastidores políticos.

O senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, trabalha em uma versão revisada do texto. Ainda assim, o conteúdo não foi divulgado oficialmente e já enfrenta resistência significativa, o que evidencia a complexidade do tema.

Além disso, o impasse expõe a preocupação crescente do setor bancário com o avanço das criptomoedas. Ainda assim, essa ameaça pode estar sendo superestimada no curto prazo, conforme análises recentes.

Moody’s vê impacto limitado no curto prazo

Abhi Srivastava, vice-presidente associado do grupo de economia digital da Moody’s, avalia que o risco das stablecoins para bancos ainda é limitado. Isso ocorre, sobretudo, devido ao estágio atual de adoção desses ativos.

Segundo o analista, os Estados Unidos já contam com sistemas de pagamento rápidos, eficientes e de baixo custo. Dessa forma, o apelo das stablecoins para transações cotidianas permanece reduzido. Além disso, a proibição de pagamento de rendimento diminui o incentivo para a migração de depósitos bancários.

Em outras palavras, stablecoins ainda não oferecem vantagens suficientes para competir diretamente com contas bancárias tradicionais em larga escala. Portanto, o impacto imediato no sistema financeiro permanece controlado.

BTCUSD sendo negociado a US$ 75.268. Gráfico: TradingView

Apesar disso, o crescimento desse mercado é relevante. Dados recentes indicam que a capitalização total das stablecoins ultrapassou US$ 300 bilhões ao final do último ano. Esse avanço ocorreu principalmente devido ao uso em pagamentos, transferências internacionais e finanças onchain.

Ao mesmo tempo, a expansão dos ativos do mundo real tokenizados ganha força. Esses ativos representam versões digitais de instrumentos tradicionais dentro de redes blockchain e reforçam a utilidade das stablecoins no ecossistema financeiro digital.

Pressão pode crescer com maior adoção

Embora o cenário atual seja considerado estável, há sinais de mudanças no longo prazo. Segundo Srivastava, à medida que stablecoins e ativos tokenizados ganharem escala, os bancos poderão enfrentar desafios mais concretos.

Por exemplo, pode ocorrer saída de depósitos e redução na capacidade de concessão de crédito. Ainda que esse cenário não esteja se materializando agora, ele já influencia o posicionamento do setor bancário.

Assim sendo, bancos atuam de forma preventiva no debate regulatório. Ao mesmo tempo, empresas de criptomoedas alertam para riscos associados à demora na aprovação do CLARITY Act. Afinal, a ausência de regras claras pode abrir espaço para regulações mais rígidas no futuro.

Como resultado, cresce a pressão por um acordo entre as partes. No entanto, a divergência sobre o pagamento de rendimento em stablecoins continua sendo o principal obstáculo.

Em conclusão, a Moody’s avalia que o impacto das stablecoins sobre os bancos permanece limitado no curto prazo, devido às restrições atuais e à infraestrutura financeira já consolidada nos Estados Unidos. Ainda assim, o avanço desse mercado indica que o tema seguirá no centro das discussões regulatórias nos próximos anos.