Uzbekistan cria zona cripto com mineração sustentável
O Uzbekistan avançou em sua estratégia para o mercado de criptomoedas ao instituir uma zona econômica especial dedicada à mineração digital. A medida foi formalizada em 17 de abril de 2026, quando o presidente Shavkat Mirziyoyev assinou a Resolução Presidencial PQ-143, que cria o Besqala Mining Valley, na República de Karakalpakstan.
A iniciativa entrou em vigor em 20 de abril e busca, sobretudo, atrair investimentos estrangeiros, gerar empregos e ampliar o uso de energia renovável. Além disso, o governo estruturou um ambiente regulado, com exigências claras de registro e conformidade para operadores.
Zona de mineração reforça estratégia digital
O Besqala Mining Valley abrange toda a região de Karakalpakstan e será dedicado exclusivamente à mineração de criptomoedas. Em primeiro lugar, apenas entidades jurídicas registradas no Uzbekistan poderão operar, desde que utilizem endereço oficial cadastrado.
Além disso, as empresas poderão recorrer tanto à rede elétrica nacional quanto a fontes renováveis, como energia solar e soluções baseadas em hidrogênio. Dessa forma, o país reforça seu posicionamento em mineração sustentável dentro do setor de blockchain.
Os mineradores também poderão negociar os ativos digitais gerados em plataformas nacionais e internacionais. No entanto, os recursos obtidos deverão ser transferidos para contas bancárias dentro do Uzbekistan, o que amplia o controle financeiro estatal.
Para supervisionar o ecossistema, o governo criou uma diretoria vinculada ao Conselho de Ministros de Karakalpakstan. O órgão ficará responsável por avaliar pedidos e monitorar o cumprimento das regras.
Regras operacionais e exigências técnicas
As exigências incluem padrões sanitários, normas de segurança técnica e medidas de prevenção contra incêndios. Ademais, os operadores deverão instalar sistemas independentes de medição de energia, a fim de garantir transparência no consumo.
Os participantes também pagarão uma taxa mensal equivalente a 1% da receita obtida com a mineração. Ao mesmo tempo, o governo busca equilibrar incentivos econômicos com fiscalização rigorosa.
De acordo com a regulamentação, usuários conectados à rede elétrica tradicional enfrentarão tarifas dobradas. Em contrapartida, operadores que utilizarem fontes renováveis terão condições mais favoráveis.
Base legal amplia estrutura do mercado cripto
A Resolução PQ-143 se apoia em legislações anteriores, especialmente a PQ-3832, de 2018, que estabeleceu as primeiras diretrizes para a economia digital no Uzbekistan. Agora, o novo documento atualiza conceitos centrais, como a definição de mineração.
Em outras palavras, a mineração passa a ser descrita como o processo computacional de manutenção de registros distribuídos e validação de blocos. Assim, o país moderniza sua base regulatória.
Além disso, o marco acompanha avanços recentes, como o reconhecimento de stablecoins como instrumento de pagamento válido desde janeiro de 2026, dentro de um ambiente sandbox supervisionado pela Agência Nacional de Projetos Prospectivos e pelo Banco Central.
O governo também publicou detalhes da iniciativa, destacando o objetivo de alinhar inovação tecnológica com segurança regulatória.
Expansão energética e foco em sustentabilidade
Outro ponto relevante envolve a ampliação das fontes energéticas permitidas. Antes restritas à energia solar, agora incluem diferentes fontes renováveis e hidrogênio. Dessa maneira, o Uzbekistan incentiva investimentos em infraestrutura limpa.
Ao mesmo tempo, o governo exige integração com sistemas de monitoramento de consumo, com o propósito de garantir eficiência energética e controle operacional.
Além disso, relatórios obrigatórios e registros eletrônicos reforçam a transparência do setor, tornando o ambiente mais previsível para investidores institucionais.
Impactos econômicos e posição regional
A criação do Besqala Mining Valley fortalece a posição do Uzbekistan como polo emergente de mineração na Ásia Central. O modelo combina incentivos fiscais com regras rígidas de compliance.
Entre os principais atrativos está a isenção total de impostos sobre a renda da mineração até 1º de janeiro de 2035. Além disso, operadores terão acesso facilitado a energia renovável e mercados internacionais.
Esse cenário também amplia o interesse por ativos digitais como o Bitcoin, especialmente entre investidores que buscam novas regiões de expansão.
Integração econômica e restrições
O projeto abre espaço para integração com outras atividades econômicas. Por exemplo, o calor gerado pelas operações pode ser reutilizado em estufas agrícolas, criando um modelo de economia circular.
Por outro lado, o Uzbekistan mantém uma abordagem rigorosa. A mineração e a negociação de ativos digitais permanecem restritas a entidades licenciadas, enquanto transações diretas entre usuários, como operações P2P, continuam proibidas.
Como resultado, o país busca equilibrar inovação com controle regulatório. A estratégia posiciona Karakalpakstan como referência regional em mineração sustentável e regulada.
Em conclusão, a Resolução PQ-143 amplia o uso de energia limpa, estabelece incentivos fiscais relevantes e fortalece a supervisão estatal, consolidando o avanço do Uzbekistan no cenário global de criptomoedas.